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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dia da Marinha'09

Esta foi mais uma grande aventura que superei! Passei 27 horas a bordo do navio Sagres e percorri 165 milhas, ou seja, de Lisboa a Aveiro. Ficam as fotos!
Este navio atracou em Aveiro no âmbito das comemorações do dia da Marinha, dia 24 de Maio, este ano realizadas na cidade aveirense.
Comemorações:
Missa em sufrágio dos militares, militarizados e civis da Marinha falecidos
9.30 horas - Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro

Cerimónia Militar
11.00 horas - Centro Cultural e de Congressos

Almoço oficial a bordo do NRP Sagres
13.00 horas - Porto de Aveiro

Demonstração Naval
15.30 horas - Canal da Barra - Ílhavo

Desfile Naval
16.00 horas - Canal da Barra - Ílhavo
Organização - Ministério da Defesa Nacional / Chefe de Estado Maior da Armada
Até este dia estarão em visita várias embarcações, até às 19h, para todos aqueles que tiverem curiosidade de conhecer, incluíndo o navio Sagres, que estará apenas até sabado, para visita.

domingo, 9 de dezembro de 2007

A ria e os seus tesouros...


«Com água e luz, a alma aveirense é feita de sal. Sal fino. Sal finíssimo. Diferente do sal traçado do Tejo ou do sal grosso de Setúbal. Sal. Sal a que já chamaram tudo: «ouro branco», «sangue branco», «grão divino», «sal da vida», «milagre branco». Às quadrículas azuis das marinhas chamou Almada Negreiros «janelas do céu».
D. João de Lima Vidal viu nas salinas «tabuleiros de cristal». Poesia de sal. O sal inspirou poetas. O sal temperou sonhos. O sal purificou a paisagem. Mas o sal também é suor. Muito suor. É labuta de gente crestada pelo Sol há mais de mil anos. (O mais antigo escrito que testemunha a existência de salinas em Aveiro é do ano de 959). Gente laboriosa. Gente salgada. Sal da terra.


Depois dos trabalhos do Inverno – sigamos agora a musa delicada de Costa e Melo –, «antes de o sal começar a nascer, como que a medo, em espumas, ele mostra-se ao Sol que lhe dá brilhos e reflexos de beleza sem par. Depois, as janelas do céu caem e o cristal delas começa a fazer negaças à luz, chamando-a para o noivado». Um bailado meticuloso de luz e sombras, de água e espuma, de moços, mulheres e marnotos, de rodos e canastras vai esculpindo, durante meses, uma moldura de montinhos de sal, que fulgem de luz como diamantes na imensidão aberta da planície. «A cordilheira começa a tomar formas de fruto, a mostrar-se para o amadurecer da montanha que o espera em forma de cone. Com o tempo e a ajuda do vento, os cones vão fazendo parte da paisagem, cada dia mais salgada». Mas, hoje, os saleiros já não transportam o sal para os palheiros do canal de S. Roque. Também os moliceiros já não rapam os fundos verdes da ria. O sal de Aveiro vive momentos difíceis. Os marnotos escasseiam. As marinhas, que já foram às centenas, contam-se hoje pelos dedos das duas mãos. Começam a sobejar dedos. Mas resistem.


Afligimo-nos nós, que não as queremos perder. Lutamos contra o tempo. Sonhamos outros tempos para elas e para nós. Como diz o nosso poeta maior, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades». Houve um tempo, conta o bispo Lima Vidal, em que o sal não se comprava. «Quando iam para a estação do caminho-de-ferro os carros de bois que levavam o sal, vinham as cozinheiras, estendiam ao condutor as suas vasilhas, só lhes agradecendo a dádiva». Esse tempo, como outros tempos idos, não volta mais. Hoje, o sal de Aveiro tem de concorrer com os preços mais baixos do sal produzido no norte de África…»


In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004


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