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quinta-feira, 20 de março de 2008

Ria de Aveiro entre as áreas prioritárias - actualidade

Ria de Aveiro entre as áreas prioritárias para defesa do litoral mas ainda sem Polis aprovado
A Ria de Aveiro foi confirmada esta quinta-feira pelo Governo entre as três áreas de intervenção prioritária para operações de requalificação e valorização do litoral, embora não tenha sido ainda aprovada a criação da sociedade Polis para a gestão do território lagunar.

Notícia integral em www.noticiasdeaveiro.pt, 20 de Março de 2008.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Há alguns anos era assim...


Nesta época do carnaval Aveiro acorda triste sem a alegria das máscaras ou os ritmos do samba... Este ano não há desfile de carnaval em Aveiro... Ficam as saudades para uns, o alívio para outros e a indiferença para quem não aprecia a quadra...

Aqui deixo ficar este registo fotográfico da chegada dos Reis do Carnaval pelas águas da Ria. A primeira edição foi em 1999 e os canais da ria foram o cenário perfeito para uma tarde mágica de folia. Outros anos se seguiram...

Este braço de mar acolheu o Carnaval e tornou-o o único no país adesfilar pela água, bem à imitação de Veneza!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Eu sei que é uma maravilha...


Aveiro: Ria candidata às sete maravilhas naturais do mundo

A Ria de Aveiro é candidata às sete maravilhas naturais do mundo, como «espaço de água de interesse mundial». A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente.

A Região de Turismo da Rota da Luz revelou ontem a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro à eleição das sete novas maravilhas naturais do mundo. A instituição liderada por Pedro Silva invoca o sucesso da campanha mundial lançada em 2007 pela fundação «7 Wonders of the World», que resultou na escolha das sete novas maravilhas do mundo, para justificar a iniciativa de candidatar a Ria de Aveiro àquele galardão.


A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente, consistindo num modelo em que as candidaturas apresentadas são sujeitas a um processo de escolha final pelo público. A Ria de Aveiro é candidatada como «espaço de água de interesse mundial», esclarece Pedro Silva, aludindo às suas «múltiplas realidades e vivências ambientais com extraordinários recursos endógenos». Esta acção, acrescenta o presidente da Rota da Luz, é «importante» para promover a visibilidade da laguna aveirense «à escala global». «Pretende-se, assim, obter o reconhecimento deste valor universal, sendo certo que o anúncio de candidatura coloca, desde já, a Ria de Aveiro no imaginário mundial dos espaços de elevado valor natural e ambiental», realça o dirigente da instituição.


Segundo o responsável, será criado um comité de apoio reunindo organizações públicas e privadas com o objectivo de «apoiar e dar maior visibilidade» à candidatura. «A inserção da Ria de Aveiro na candidatura releva o potencial turístico desta região, com os consequentes efeitos multiplicadores na economia regional», acrescenta Pedro Silva.


Em Julho de 2007, a Rota da Luz anunciou que estava a estudar a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro a Património da Humanidade da UNESCO, embora não tivesse revelado prazos para o avanço do processo. A iniciativa contava ainda com a participação da Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro e com o apoio de uma equipa coordenada por Rui Losa, arquitecto que esteve envolvido no projecto que guiou a cidade do Porto a património mundial.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

POLIS da RIA - a actualidade


Aveiro: Polis da Ria no terreno em «dois ou três meses»

Os trabalhos da sociedade Polis criada especificamente para desenvolver projectos na Ria de Aveiro começarão «dentro de dois a três meses», garantiu esta semana o ministro do Ambiente.

O ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional garantiu esta semana na Assembleia da República (AR) que os trabalhos da sociedade Polis criada especificamente para desenvolver projectos na Ria de Aveiro começarão «dentro de dois a três meses». Segundo o deputado do PSD José Manuel Ribeiro, eleito pelo círculo de Aveiro, Francisco Nunes Correia assumiu terça-feira, perante a Comissão de Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território da AR, que a constituição do Polis se encontra atrasada, mas prometeu para os próximos meses o início dos trabalhos.


O parlamentar social-democrata interpelou o ministro sobre a situação actual da ria de Aveiro, criticando a «inércia» da tutela e advertindo para o estado de «completo abandono» da laguna. José Manuel Ribeiro acusa o Governo de «assistir ao definhar e ao progressivo e sistemático desperdício das potencialidades» da Ria, realçando que só em Novembro passado, durante a discussão na especialidade do Orçamento de Estado para 2008, Nunes Correia «pela primeira vez» se pronunciou ao anunciar o novo modelo de gestão integrada. «Entretanto passaram mais dois meses e nada», lamenta o deputado, lembrando que o Governo anterior tinha um outro modelo da gestão «aprovado e preparado para avançar».


De acordo com Nunes Correia, a solução para a Ria passa por uma intervenção alargada à barrinha de Esmoriz, cuja estratégia será candidatada ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (novo pacote de fundos comunitários). Recentemente, o presidente da Grande Área Metropolitana de Aveiro (GAMA) e da Associação de Municípios da Ria (AMRia), Ribau Esteves, reclamou urgência na constituição da sociedade Polis, com capacidade legal para intervir na ria. «Face ao estado de abandono da ria, a solução está na entidade que surja da tipologia Polis, anunciada e bem pelo ministro do Ambiente e que queremos que seja constituída o mais rapidamente possível», declarou. O dirigente social-democrata, que é igualmente presidente da Câmara de Ílhavo, sublinhou que, para os municípios ribeirinhos, «a obra mais urgente é o desassoreamento dos canais e a protecção marginal em Ovar e no Lago do Paraíso».


Ribau Esteves renovou as críticas ao Governo pelo «abandono» a que a Ria de Aveiro tem estado sujeita, estimando em cerca de 600 mil euros a verba que o Estado já perdeu por nem sequer arrecadar as taxas dominiais, correspondentes a licenças de amarração dos barcos, de mariscadores, de associações náuticas e taxas sobre edifícios das margens. «Chegou-se ao ponto do abandono até administrativo e o governo, que se queixa tanto da falta de dinheiro, nem as taxas dominiais de 2006 e 2007 conseguiu cobrar, que representam cerca de 600 mil euros, como era sua obrigação. Esperamos que as coisas mudem muito rapidamente», comentou.

In: http://www.diarioaveiro.pt/

domingo, 13 de janeiro de 2008

Ainda a festa da beira-mar...



"O povo do bairro da beira-mar, durante o Verão, vivia da safra do sal, e de Inverno, da faina da pesca na ria. "

Hoje ainda se podem ver as naças da pesca a serem utilizadas para outro fim... Servem para apanhar cavacas! Era desta forma curiosa que os homens da beira-mar apanhavam as cavacas e ainda hoje se mantém este hábito.

O mês de Janeiro, quando se realiza a festa do padroeiro do bairro, é tempo da faina da pesca e as naças saíam de casa para apanhar cavacas!
Esta forma curiosa ainda hoje se mantém...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

o santo de hoje

Não poderia deixar passar o dia 10 de Janeiro sem falar no São Gonçalinho… Todos o conhecem assim em Aveiro.


"O beato s. Gonçalo era oriundo de Arriconha, freguesia de Tagilde, perto de Guimarães, onde nasceu no ano de 1190, numa nobre família minhota, de apelido Pereira.
Destinado à vida religiosa fez os seus votos de sacerdócio e tornou-se pároco de Tagilde.
Deixou a sua paróquia entregue a uma sobrinho, também padre, peregrinando pela Terra Santa, durante 30 anos. No regresso a Tagilde a paróquia foi-lhe negada pelo sobrinho.
S. Gonçalo, sem querer confusões, recolheu-se num monte de Amarante como eremita. Apenas vinha à vila para fazer as suas pregações, já que o povo apreciava muito o seu poder oratório. Acabou por falecer a 10 de Janeiro de 1259, seria beatificado em 1561 pelo Papa Pio IV, como resultado da devoção que d. João III teria pelo Santo."

De imediato pode não ser feita a ligação dos temas deste blog a este Santo… Mas ele sempre foi acarinhado pelo povo da beira-mar, e por isso a sua relação a Aveiro, ao mar e à ria. Aqui vos deixo uma pequena história curiosa acerca do São Gonçalinho que demonstra bem a ligação da gente do mar para com este exemplo de vida que foi o São Gonçalinho.

"O povo do bairro da beira-mar, durante o Verão, vivia a safra do sal, e de Inverno, na faina da pesca na ria. Num ano em que a pesca ia muito má, um pescador, que diariamente passava pela capela de S.Gonçalinho, naquele dia decidiu fazer uma promessa ao Santo. Se naquele dia tivesse uma boa pescaria, a primeira bateira de peixe que apanhasse seria para o Santo.
Seguiu para a faina e em pouco tempo tinha a bateira cheia. No entanto, disse para consigo que aquele peixe seria para ele e a próxima bateira que apanhasse entregaria ao Santo.
Terminava este pensamento e deu-se uma grande marola na ria, virou-se a bateira e perdeu-se todo o peixe. Naquele dia, não conseguiu pescar mais nada!"

Durante o próximo fim de semana realizam-se as festas em honra de São Gonçalinho no bairro da beira-mar sendo conhecidas por todo o país pela sua característica ímpar de “choverem” pães de açúcar, denominadas cavacas, do alto da capela.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Vai chegar 2008...

2008 está quase a chegar... Tal como nesta foto, que o novo ano seja virado para o céu! Sempre com os olhos postos no futuro, nas nossas expectativas, nas nossas esperanças e acima de tudo disparando em direcção à realização dos nossos sonhos...


2008 está quase a chegar... Que o novo ano possa ser a ponte que nos levará aos outros... A todos aqueles que, por algum motivo, nos lembramos menos vezes, simpatizamos menos... Que seja tambem a ponte para vermos o Mundo de outra forma respeitando a igualdade pelos nossos semelhantes...

2008 está quase a chegar... E com ele renovam-se promessas para a vida, metas para atingir... Umas nunca chegarão ao céu da nossa realidade, outras decerto que atingirão a nossa vida de variadas formas, brilharão no nosso céu e espalharão a nossa alegria pelos outros...

E 2008 está mesmo quase a chegar... Que, como nesta fotografia, o novo ano seja cheio de tudo e de nada... De tudo o que nos faz feliz e de nada o que nos possa ''deitar abaixo''!

Desejo a todos os que por aqui passam e irão passar um 2008 cheio de brilho, cheio de trabalho, cheio de alegrias, cheio de saúde e cheio de pequenas felicidades...

Que as velas do moliceiro que se erguem no vosso coração possam sempre estar dispostas a amparar os ventos maliciosos e singrar na Ria calma... Que a proa do ''vosso'' moliceiro seja sempre bem colorida e o calado bem grande para guardar tudo o que for recordação.

FELIZ ANO 2008!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Bicicletas aquáticas a caminho da Ria

Dez são o número provável de bicicletas aquáticas que vão começar a «circular» nos canais urbanos da Ria de Aveiro, a partir da próxima Primavera. Alguns protótipos puderam ontem ser vistos e até experimentados.

Ontem foi dia de demonstrar e experimentar as bicicletas aquáticas que vão circular nos canais urbanos da Ria de Aveiro, já no próximo ano. Junto ao Quiosque BUGA (ao lado do Forum Aveiro), foram muitas as pessoas que pararam alguns minutos da sua azáfama natalícia e observaram os «estranhos» veículos que circulavam no Canal Central. As bicicletas aquáticas prometem dinamizar o sector turístico na cidade de Aveiro, dar mais dinamismo aos canais urbanos e proporcionar a todos uma forma diferente de visitar a cidade. De acordo com o vereador Pedro Ferreira, devem começar a ser vistas na Ria «pouco antes da chegada da Primavera». Um projecto que resulta da parceria entre a MoveAveiro – empresa municipal de mobilidade, e a Media One, uma empresa recentemente criada, com o objectivo de desenvolver projectos na área da publicidade, multimédia e Internet. As bicicletas aquáticas vão ser disponibilizadas em formato de um e dois lugares, terão que ser pagas pelos utilizadores, ao contrário do que acontece com as BUGA’s, e vão ficar atracadas na zona do Quiosque BUGA, num ancoradouro que ainda será construído. Quanto aos percursos, só poderão ser definidos após a aprovação do projecto pela Capitania do Porto de Aveiro.

Vítor David é o criador das bicicletas aquáticas e explicou ao Diário de Aveiro tratar-se de um «projecto que foi evoluindo aos poucos e por fases». Tudo aconteceu ao longo de dois anos, num período em que Vítor David esteve desempregado e «a sua concepção foi muito inspirada na estrutura dos catamarans, quer em termos de formas, quer até de materiais». Neste momento, este criador está a ultimar os pormenores para a criação de uma empresa que se vai ocupar do fabrico destes veículos. A sede será em Sangalhos e o pavilhão/fábrica ficará localizado na Borralha (Águeda). Mas o dia de ontem também serviu para a MoveAveiro apresentar à cidade o novo veículo da sua frota. «Trata-se do superar de uma lacuna há muito sentida na empresa municipal, isto é, a falta de um autocarro adequado a viagens longas. Terá capacidade para cerca de 60 pessoas e poderá ser alugado», explicou Pedro Ferreira ao Diário de Aveiro.

E neste, tal como em todos os autocarros da frota da MoveAveiro, vai começar a funcionar uma nova plataforma de comunicação. Também resultado da parceria entre a empresa municipal e a Media One, trata-se de uma plataforma designada «moveTv» e consiste em écrans LCD estrategicamente colocados no interior dos autocarros onde vão ser, constantemente, transmitidos conteúdos informativos, de teor cultural, serviços, publicidade, entre outros. Numa segunda fase, esta plataforma vai possibilitar uma interactividade com os passageiros, nomeadamente, o envio de horários via «SMS», ou ainda permitir o acesso à Internet durante as viagens. Está ainda prevista uma futura interligação com o sistema GPS, informando os utentes da localização e o tempo de espera de cada autocarro.

Notícia do dia 23 de Dezembro de 2007, disponivel em www.diarioaveiro.pt.

domingo, 23 de dezembro de 2007

O Natal Aveirense!

Depois de elogiar a Ria de Aveiro deixo-vos algumas fotos onde se pode comprovar o encanto das suas águas, embelezadas pelas luzes, na época de Natal!

A luz e a água uma combinação de dois elementos fortes que nos deixam a reflectir na sua beleza e na quadra natalícia ganham outro espírito!











Feliz Natal a todos os que passem por cá, amigos e visitantes! Que o Natal tenha sempre tanta luz como estas fotos!

sábado, 22 de dezembro de 2007

A nossa Ria...

Sempre houve apaixonados pela nossa ria, pelos seus canais, moliceiros e mercanteis, gaivotas e maresia…

Um poema de amor é sempre uma escrita fascinante que nos leva a fantasiar… O poema que vos deixo, transformado depois numa música, coloca a Ria de Aveiro como a ninfa inspiradora do autor… Aquela que espelha os desejos dos Homens, aquela companheira que, de forma silenciosa, assiste aos mais belos romances de amor… Um Verdadeiro Paraíso da Alegria!
Oh Ria berço de Sonho
Espelho do meu desejo
Tens um encanto risonho
És todo o prazer dum beijo
Tão bela fresca e airosa
A espreguiçar-se na areia
És fada maravilhosa
Com atracções de sereia
Oh! Ria
Oh! Ria tão formosa
Oh! Ria!
És o meu ideal
Oh! Ria és tão bela e tão airosa
És a ria mais ditosa
Das rias de Portugal
Ao poente as tuas águas
Cheinhas de graça e cor
Fazem espairecer as mágoas
E aumentar o amor
Por isso tu dás saúde
Aos corações em magia
És jardim da juventude
Paraíso da alegria

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Botadela



Por alturas de Maio a marinha era colocada a sal novamente dando-se o nome de “botadela”, significando botar a marinha a sal.
Todos se ajudavam mutuamente… Os marnotos de cada marinha ajudavam os colegas e iam rodando por todas as marinhas.
Quando chegava a hora do almoço, a que os marnotos chamavam curiosamente de “jantar”, as mulheres iam ter com eles levando o farnel ou fazendo-o lá no palheiro. Era típico neste dia comer-se uma caldeirada de peixe.

Aqui deixo outra canção própria da Botadela.

Escusado é procurar
Não há sal como de Aveiro
Podem ir de Norte a Sul
O nosso é sempre o primeiro

Debaixo de um sol ardente
Que até corta o coração
Andamos na faina da vida
Para ganhar o nosso pão

Vamos todos nos ajudar
Nas marinhas a sal botar…
E depois dela botada
Vem a bela caldeirada!

domingo, 16 de dezembro de 2007

A safra...

Todo o trabalho nas salinas é árduo, muitas vezes de sol a sol... aqui deixo mais uma canção dos anos 60, típica de Aveiro, mas pouco conhecida!

Anda o sol pela ria

De manhã até à noitinha

Marnotos em porfia

A botarem a marinha


E o marnoto, bom deus

Vendo o sal em seu louvor

Ergue os olhos ao céu

Reza a Nosso Senhor


Oh salineiro anda ligeiro

Olha que a chuva pode chegar

E a salina que é tua mina

Se vem a chuva tens que a alagar


A água vai entrando

Espelho de cristal

E o marnoto cantando

Começa a rer o sal


Depois na canastrinha

Segue o sal o seu destino

Serve para a cozinha

E baptizar o menino


Música dos nossos antepassados por mim recolhida através de uma pessoa de família. Era este tipo de músicas, assim me explicou com os seus 80 anos, que as esposas cantavam aos seus maridos ao vê-los trabalhar na marinha e, como forma de incentivo, lhes cantavam da eira (local onde se acumulava o sal nos montes).
Um verdadeiro hino ao homem das salinas!

Painel de azulejo da Fábrica Aleluia, 1992.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sal de Aveiro

Depois dos belos textos acerca da ria de Aveiro e de toda uma aventura imaginária por outros tempos, outras realidades e outros aromas deixo-vos um hino.

Uma canção que exalta mais uma vez a Ria de Aveiro e em particular o sal, é chamado de "Sal de Aveiro". A música, composta pelo prof. Severino Vieira, ainda hoje é cantada pelos grupos culturais da cidade.
Oh linda ria de Aveiro

De beleza sem igual

Dás à cidade o letreiro

Veneza de Portugal!


Para matar o desgosto

Que ao coração nos traz mágoas

Vamos mirar nosso rosto

No espelho das tuas águas...



SAL DE AVEIRO, SAL DE AVEIRO

DE TODOS O MELHOR SAL!

SAL DE AVEIRO ÉS O PRIMEIRO

O MELHOR DE PORTUGAL!



Nós somos da beira-mar,

Vivemos ao pé da ria

Nela sempre a lutar

Pelo pão de cada dia...


Sal de Aveiro é o produto

Do nosso intenso lidar...

Sal de Aveiro é o fruto

Dos homens da beira-mar!


domingo, 9 de dezembro de 2007

A ria e os seus tesouros...


«Com água e luz, a alma aveirense é feita de sal. Sal fino. Sal finíssimo. Diferente do sal traçado do Tejo ou do sal grosso de Setúbal. Sal. Sal a que já chamaram tudo: «ouro branco», «sangue branco», «grão divino», «sal da vida», «milagre branco». Às quadrículas azuis das marinhas chamou Almada Negreiros «janelas do céu».
D. João de Lima Vidal viu nas salinas «tabuleiros de cristal». Poesia de sal. O sal inspirou poetas. O sal temperou sonhos. O sal purificou a paisagem. Mas o sal também é suor. Muito suor. É labuta de gente crestada pelo Sol há mais de mil anos. (O mais antigo escrito que testemunha a existência de salinas em Aveiro é do ano de 959). Gente laboriosa. Gente salgada. Sal da terra.


Depois dos trabalhos do Inverno – sigamos agora a musa delicada de Costa e Melo –, «antes de o sal começar a nascer, como que a medo, em espumas, ele mostra-se ao Sol que lhe dá brilhos e reflexos de beleza sem par. Depois, as janelas do céu caem e o cristal delas começa a fazer negaças à luz, chamando-a para o noivado». Um bailado meticuloso de luz e sombras, de água e espuma, de moços, mulheres e marnotos, de rodos e canastras vai esculpindo, durante meses, uma moldura de montinhos de sal, que fulgem de luz como diamantes na imensidão aberta da planície. «A cordilheira começa a tomar formas de fruto, a mostrar-se para o amadurecer da montanha que o espera em forma de cone. Com o tempo e a ajuda do vento, os cones vão fazendo parte da paisagem, cada dia mais salgada». Mas, hoje, os saleiros já não transportam o sal para os palheiros do canal de S. Roque. Também os moliceiros já não rapam os fundos verdes da ria. O sal de Aveiro vive momentos difíceis. Os marnotos escasseiam. As marinhas, que já foram às centenas, contam-se hoje pelos dedos das duas mãos. Começam a sobejar dedos. Mas resistem.


Afligimo-nos nós, que não as queremos perder. Lutamos contra o tempo. Sonhamos outros tempos para elas e para nós. Como diz o nosso poeta maior, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades». Houve um tempo, conta o bispo Lima Vidal, em que o sal não se comprava. «Quando iam para a estação do caminho-de-ferro os carros de bois que levavam o sal, vinham as cozinheiras, estendiam ao condutor as suas vasilhas, só lhes agradecendo a dádiva». Esse tempo, como outros tempos idos, não volta mais. Hoje, o sal de Aveiro tem de concorrer com os preços mais baixos do sal produzido no norte de África…»


In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Aveiro e a ria... A ria e Aveiro...

«Parece que finalmente todos compreenderam as palavras avisadas de Raul Brandão: «Ninguém aqui vem que não fique seduzido, e, noutro país, esta região seria um lugar de vilegiatura privilegiado. É um sítio para contemplativos e poetas: qualquer fio de água lhes chega e os encanta. É um sítio para sonhadores e para os que gostam de se aventurar sobre quatro tábuas, descobrindo motivos imprevistos.



É-o para os que se apaixonam pelo mar profundo e para os medrosos que só se arriscam num palmo de água – porque a ria é lago e mar ao mesmo tempo. Com meios muito simples, um saleiro e uma barraca, tem-se uma casa para todo o Verão. Pesca-se. Sonha-se. Toma-se banho.



Esquece-se a vida prática e mesquinha. Dorme-se ao largo, deitando-se a fateixa ou abica-se ao areal: um fogaréu, uma vara, a caldeirada…» Apesar das mudanças das últimas décadas, a influência da ria, desse mar de água pouco profunda, das suas ilhas, dos meandros de canais e esteiros, continua decisiva no ar que respiramos. Na temperatura. Na humidade. Na luz que nos inunda e envolve. Na fina neblina que adoça cores e formas. No nosso olhar. Na nossa identidade.



Com uma superfície de cerca de 11.000 hectares – 6.000 ocupados permanentemente pelas águas, 2.000 por salinas, cuidadas, abandonadas ou convertidas à piscicultura, e a restante por praias, cuja formação está ligada à ocupação agrícola, a ria de Aveiro é incontornável. Só por cegueira foi possível ignorá-la tanto tempo…" »



In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004



domingo, 2 de dezembro de 2007

As riquezas da Ria de Aveiro

«Hoje, a população já não depende de igual modo da laguna. As actividades turísticas a ela associadas estão a dar os primeiros passos. Que terão de ser sustentados. Equilibrados. A pesca cede o lugar à piscicultura. A ria ainda dá solhas, linguados, robalos, enguias e bivalves, como ameijoa, o berbigão e o mexilhão.


Mas já não é propriamente um modo de vida. A pressão das indústrias, desde o início do século XX, e a dominação económica dos serviços, nos últimos decénios, puseram as populações ribeirinhas de costas para a laguna. No entanto, a situação está a mudar. Vivemos um tempo de transição. A ria está agora a ser redescoberta e diversamente valorizada. Como que por milagre, a ria tornou-se aos olhos de todos um importante, senão o mais fecundo, recurso científico, cultural e turístico da região.


Estamos a redescobrir toda a sua beleza natural, as suas ilhas, os seus canais e esteiros em mutação constante, estamos a compreender a importância da sua flora e da sua fauna, a aprender o valor incalculável do seu equilíbrio, que importa proteger.


A ria de aveiro, «como quase todas as zonas húmidas, é um lugar de excepção para a conservação de inúmeras populações de aves, com destaque para as aves aquáticas». Como refere João Nunes da Silva, «na ria de Aveiro estão identificados dezanove tipos de habitats naturais, incluindo dois prioritários», factores que a tornaram «a zona húmida mais relevante para a conservação da avifauna aquática situada a norte do rio tejo, sendo actualmente uma Zona de Protecção Especial para a Avifauna. Pilritos, maçaricos, borrelhos, andorinhas-do-mar, pernas-longas, alfaiates e mais recentemente flamingos, são apenas algumas espécies, entre outras, que acorrem à ria de Aveiro, sendo os meses de Inverno os mais ricos em diversidade. Dez a quinze mil é o número de aves que a ria de Aveiro recebe durante os meses de Outono e Inverno, muitas delas vindas de paragens longínquas do norte da Europa.»


In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004

domingo, 25 de novembro de 2007

Ria de Aveiro - Biologia III

Sedimentos e Vida Aquática

O problema dos sedimentos na Ria de Aveiro prende-se essencialmente pela existência de contaminações de metais pesados, em determinadas zonas sujeita a descargas de fluentes. A concentração de Mercúrio na Ria é irregular, nuns locais é muito elevada e noutros quase inexistente. A média é de 0.72mg/Kg de mercúrio no sedimento seco. Além de Mercúrio pode encontrar-se ainda quantidades variáveis de Cádmio, Cobre e Zinco.
Realizaram-se várias experiências em seres aquáticos e chegou-se à conclusão que existem valores muito diversos de materiais pesados e organoclorados, como por exemplo Chumbo, Magnésio, Cobre, Ferro, Cádmio, Zinco, Níquel, PCB e DDT, nos referidos seres. O Chumbo e o PCB destacam-se por apresentarem valores superiores comparadamente com outros valores registados no resto do país.

Em resumo são factos de relevo da caracterização da qualidade da Ria de Aveiro os seguintes aspectos:

a)Poluição orgânica geral;

b)Poluição fecal;

c)Poluição química.

Estes posts sobre a parte da Biologia da nossa Ria de Aveiro foi instrumento de pesquisa vária, nomeadamente em: HENRIQUES, P. C. - Parques e Reservas Naturais de Portugal. Editorial Verbo, Lisboa 1994, entre outros folhetos diversos da área.
Foi aliciante esta pesquisa para me dar a conhecer outros aspectos da Ria e assim aqui poder partilhar algumas das informações.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ria de Aveiro - Biologia I

A dinâmica física, química e biológica na massa de água e nas suas interfaces (sedimentos, meios oceânicos, dulçaquicola e terrestre) condiciona todo o mundo lagunar/estuarino.
Devido a esta dinâmica constitui-se no seio da laguna e em seu redor uma peculiar diversidade de biótopos de grande importância do ponto de vista ecológico, albergando cada um deles diferentes comunidades de fauna e flora selvagens, e aos quais estão associados um conjunto de recursos naturais que desde há muito são explorados pelo Homem.
São assim de salientar os biótopos lagunares: coluna de água, leito e laguna, bancos interditais e salinas, sopais e caniçais e os biótopos terrestres associados à laguna: dunas litorais, dunas arborizadas e bosque ripícola e «bocage».


Coluna de Água

A água é o recurso natural mais abundante na Ria de Aveiro e condicionou de forma acentuada a actividade humana na laguna.
Na coluna de água habita um conjunto diversificado de seres: plantónicos (bactérias, algas e animais) e peixes.
Algumas das 64 espécies registadas na fauna piscícola, tais como a solha, o linguado, o robalo, a tainha e a enguia têm especial interesse comercial.

Leito da Laguna

O leito de uma laguna formada por areias e/ou sedimentos argilosos apresenta uma comunidade muito diversificada, constituída por bactérias, algas e plantas aquáticas (moliço) e organismos vivos sobre ou no interior do sedimento e servem de alimentaçao a muitos peixes predadores.

Bancos Interditais e Salinas

Os bancos interditais apresentam uma abundante fauna bentónica formada principalmente por moluscos (sobretudo bivalves), anelídeos, poliquetas e crustáceos.
As salinas representam um biótopo alternativo importante para as aves limícolas pois apresentam uma fauna bentónica semelhante e não estão sujeitas às variações da maré, mantendo uma reduzida altura de água.



Sopais e Caniçais

Os sopais e os caniçais são biótopos de elevada produtividade e têm importantes funções nas transferências energéticas dos estuários. Transferem quantidades importantes de matéria orgânica e energia, não só para as águas da laguna e, através dela, para a zona oceânica adjacente, como também para os agro-sistemas nas margens da ria.
Os sopais correspondem a formações vegetais especialmente adaptadas à salinidade das águas estuarinas e à submersão periódica durante a preia-mar.Os caniçais, com uma distribuição mais limitada às zonas periféricas da laguna para além de também proporcionarem alimento abundante nos vários níveis tróficos são particularmente importantes para as aves pois apresentam condições muito favoráveis de abrigo e nidificação de diversos aquáticos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A origem...

In: Lobato, Cláudia;Geografia A 10ºAno;Parte 2; Areal editores; 2003; Porto


A laguna impropriamente denominada Ria de Aveiro está situada no litoral da Região Centro de Portugal.
A ria comunica com o mar por uma embocadura de reduzidas dimensões, que foi aberta e fixada artificialmente através do cordão dunar.
Estende-se por uma área de aproximadamente 50 000 ha, alongando-se por cerca de 50km de comprimento no sentido N-S, de Ovar a Mira, e tendo a largura máxima de 8 km em frente à foz do rio Vouga.
Os movimentos seculares quaternários do nível do mar e, em especial, os posteriores à glaciação estão na base do processo evolutivo na linha da costa, quando vastas áreas de fundos marinhos de translação litoral, como a «corredoura», que se faz sentir de Norte para Sul, a predominância de ventos do quadrante noroeste e consequente direcção de incidência da ondulação na costa.
Tudo começou há cerca de dez séculos, que o mar banhava os locais onde hoje se erguem povoações como Ovar, Estarreja, Aveiro, Mira e Tocha formando no litoral uma baía bastante aberta.
A acção dos ventos dominantes do Este, influenciando a direcção da crista das ondas, conjugada com as correntes de circulação litoral, o que deu origem a uma sedimentação costeira, com a formação de duas flechas ou restingas.
Houve tempos em que nem sequer existia ligação com o mar, o que prejudicava toda a região.
Assim a barra da laguna veio descendo em latitude ao longo dos últimos dez séculos até ser artificialmente estabilizada no início do séc. XIX no local onde hoje se encontra.Podemos dizer, com orgulho, que a Ria de Aveiro e Portugal se formaram ao mesmo tempo. Nasceram simultaneamente por altura do séc. XII e poderíamos dizer, fantasiando um pouco, que enquanto os nossos primeiros reis e os seus homens iam dilatando as terras peninsulares, a Mãe-Natureza ia conquistando ao mar esta jóia prodigiosa que generosamente viria ofertar às nossas terras aveirenses.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A nossa Ria

A Ria de Aveiro é o resultado do recuo do mar, com a formação de cordões litorais, que a partir do séc. XVI, formaram uma laguna que constitui um dos mais importantes e belos acidentes hidrográficos da costa portuguesa.

Abarca 11000ha, dos quais 6000 estão permanentemente alagados, sendo composta por quatro grandes canais, ramificados em esteiros, que circundam um sem número de ilhas e ilhotas. Nela desaguam o Vouga, o Antuã e o Boco, tendo como única comunicação com mar um canal que corta o cordão litoral entre a Barra e s. Jacinto; é por esta passagem que acendem ao Porto de Aveiro embarcações de grande calado. Rica em peixes e aves aquáticas, possui grandes planos de água, locais de eleição para a prática de desportos náuticos.

Muito especialmente no Norte da Ria, os barcos moliceiros, ostentando coloridos e ingénuos painéis decorativos, continuam a apanhar moliço, fertilizante de eleição, hoje ecologicamente revalorizado, que transforma solos estéreis de areia em ubérrimos terrenos agrícolas.


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