

Devia era haver maneira certa de saber quem vem e o que traz ou quer, sabem-no as gaivotas que vão pousar nos mastros, e nós, a quem mais importaria, não sabemos, e o soldado velho disse, As gaivotas têm asas, também as têm os anjos, mas as gaivotas não falam, e de anjos nunca vi nenhum.
Saramago, José, Memorial do Convento, Romance, 20ª edicão, Caminho - O Campo da Palavra, Lisboa 1990, pp. 59-63




