quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Eu sei que é uma maravilha...


Aveiro: Ria candidata às sete maravilhas naturais do mundo

A Ria de Aveiro é candidata às sete maravilhas naturais do mundo, como «espaço de água de interesse mundial». A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente.

A Região de Turismo da Rota da Luz revelou ontem a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro à eleição das sete novas maravilhas naturais do mundo. A instituição liderada por Pedro Silva invoca o sucesso da campanha mundial lançada em 2007 pela fundação «7 Wonders of the World», que resultou na escolha das sete novas maravilhas do mundo, para justificar a iniciativa de candidatar a Ria de Aveiro àquele galardão.


A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente, consistindo num modelo em que as candidaturas apresentadas são sujeitas a um processo de escolha final pelo público. A Ria de Aveiro é candidatada como «espaço de água de interesse mundial», esclarece Pedro Silva, aludindo às suas «múltiplas realidades e vivências ambientais com extraordinários recursos endógenos». Esta acção, acrescenta o presidente da Rota da Luz, é «importante» para promover a visibilidade da laguna aveirense «à escala global». «Pretende-se, assim, obter o reconhecimento deste valor universal, sendo certo que o anúncio de candidatura coloca, desde já, a Ria de Aveiro no imaginário mundial dos espaços de elevado valor natural e ambiental», realça o dirigente da instituição.


Segundo o responsável, será criado um comité de apoio reunindo organizações públicas e privadas com o objectivo de «apoiar e dar maior visibilidade» à candidatura. «A inserção da Ria de Aveiro na candidatura releva o potencial turístico desta região, com os consequentes efeitos multiplicadores na economia regional», acrescenta Pedro Silva.


Em Julho de 2007, a Rota da Luz anunciou que estava a estudar a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro a Património da Humanidade da UNESCO, embora não tivesse revelado prazos para o avanço do processo. A iniciativa contava ainda com a participação da Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro e com o apoio de uma equipa coordenada por Rui Losa, arquitecto que esteve envolvido no projecto que guiou a cidade do Porto a património mundial.


terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ouve-se o Mar

Agora

Que a chuva cai devagar

Lá fora E a noite vem devorar

O sol E tudo fica em silêncio

Na rua

E ao fundo

Ouve-se o mar


Agora

Talvez te possas perder

Devora

O que a saudade te der

A vida

Leva pra longe pedaços

Do tempo

Deixa o sabor de um regaço

E ao fundo

Ouve-se o mar


Agora

Que a água inunda os teus olhos

E o mundo

Já não te deixa parar

No escuro

Voltam as estórias perdidas

Na alma

Onde não podes tocar

E ao fundo

Ouve-se o mar

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Mar - actualidade

Mar devora dunas e ameaça zona costeira

A "erosão aceleradíssima" das dunas na Praia de Mira está a preocupar o presidente da Junta de Freguesia, Carlos Milheirão. A "culpa", diz, é dos esporões - quatro, ao longo da costa - que o Ministério do Ambiente construiu, há cerca de dois anos, para defesa da orla costeira, contra a sua vontade. "Depois disso, passou a verificar-se o desgaste das dunas de dia para dia", lamenta. O problema é que, enquanto os esporões contribuem para a acumulação de areias a norte, há um desgaste do areal a sul. Isto porque as correntes da nossa costa tendem a fluir de norte para sul.

Na praia de Poço da Cruz, Carlos Milheirão aponta as diferenças entre as dunas situadas de um lado e do outro do esporão. A sul, o "devorar" das águas é evidente há dunas reduzidas a metade. A arte xávega costumava fazer-se ali, mas "agora é impossível, porque a praia não tem distância que permita exercer a actividade", afirma o autarca. "Milhares de metros cúbicos de areia saíram, já, daqui. Se, no espaço de dois anos, desapareceu esta areia toda, é uma questão de pouco tempo até o resto ir também e o mar passar para o outro lado", sustenta o autarca. E lembra: "As dunas são a nossa defesa, as nossas muralhas".

O cenário de Poço da Cruz repete-se nos outros pontos da Praia de Mira onde existem esporões. "Insurgi-me, desde o início, contra estas construções", sublinha Carlos Milheirão. Defende, sim, os enrocamentos, construções paralelas à costa que "fazem o que a natureza em si faz criam bancos de areia que provocam o quebrar das ondas afastado da costa".A criação de esporões para evitar a erosão costeira, em Mira, foi uma má solução, concorda Maria de Lurdes Cravo, da associação de defesa ambiental Quercus. Porque, "por efeitos de dinâmica marítima costeira, as areias a sul, normalmente, desaparecem", reforça. Para a presidente da Assembleia Geral da Quercus, Carlos Milheirão "tem razão em estar preocupado". Há que apostar em "medidas preventivas", diz a ambientalista. A fixação de espécies vegetais características do cordão dunar, como o estorno, e de pára-ventos é uma delas. A ocupação humana, nomeadamente sob a forma de infra-estruturas, também é de evitar, explica.

Os esporões em causa já existiam, em Mira, "há bastante tempo", tendo sido "reconstruídos" a pedido da Câmara Municipal com o intuito de salvaguardar pessoas e bens, informou fonte do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional. Por ser problemática, no que respeita ao avanço do mar, essa é "uma das zonas mais acompanhadas e monitorizadas do país", disse ainda. Segundo a mesma fonte, "todas as medidas têm prós e contras" e, no caso dos esporões - estes previstos no Plano de Ordenamento da Orla Costeira -, existe escassez de areias a sul, sobretudo no Inverno. Uma situação que "pode ser corrigida".

In: http://jn.sapo.pt

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O que seria sem ti?

Depois de instantes a percorrer os estrados da praia, sento-me na areia num fim de tarde... Está sol e o mar rebenta as suas ondas com eficácia...

Para aqueles que vivem longe do Mar é sempre motivo de alegria uma ida à praia, uma simples visita ao Mar... e para nós que vivemos à tua beira?

Como é que conseguimos sempre estar fascinados por ti e sentir a tua falta, a necessidade de ir até ti, receber a tua energia, ouvir o teu som e colher a maresia...

Mar, o que seria sem ti?


Mar,
és fonte de riqueza
No menu a cada mesa,
És por vezes também tristeza...
O que seria sem ti?

Mar,
Penso em ti um instante,
Vejo-te, longe tão distante,
Tens a barra tua amante...
O que seria sem ti?

Mar,
Longos quilómetros a percorrer,
Olhar-te até a vista perder,
Para acabar por dizer:
O que seria sem ti?

(Créditos: Gaivota da Revessa)
















Mais um devaneio que aqui partilho com os que me lêem...

Um simples escrito que me levou a navegar por Mar Alto sem me ter levantado da areia...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

POLIS da RIA - a actualidade


Aveiro: Polis da Ria no terreno em «dois ou três meses»

Os trabalhos da sociedade Polis criada especificamente para desenvolver projectos na Ria de Aveiro começarão «dentro de dois a três meses», garantiu esta semana o ministro do Ambiente.

O ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional garantiu esta semana na Assembleia da República (AR) que os trabalhos da sociedade Polis criada especificamente para desenvolver projectos na Ria de Aveiro começarão «dentro de dois a três meses». Segundo o deputado do PSD José Manuel Ribeiro, eleito pelo círculo de Aveiro, Francisco Nunes Correia assumiu terça-feira, perante a Comissão de Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território da AR, que a constituição do Polis se encontra atrasada, mas prometeu para os próximos meses o início dos trabalhos.


O parlamentar social-democrata interpelou o ministro sobre a situação actual da ria de Aveiro, criticando a «inércia» da tutela e advertindo para o estado de «completo abandono» da laguna. José Manuel Ribeiro acusa o Governo de «assistir ao definhar e ao progressivo e sistemático desperdício das potencialidades» da Ria, realçando que só em Novembro passado, durante a discussão na especialidade do Orçamento de Estado para 2008, Nunes Correia «pela primeira vez» se pronunciou ao anunciar o novo modelo de gestão integrada. «Entretanto passaram mais dois meses e nada», lamenta o deputado, lembrando que o Governo anterior tinha um outro modelo da gestão «aprovado e preparado para avançar».


De acordo com Nunes Correia, a solução para a Ria passa por uma intervenção alargada à barrinha de Esmoriz, cuja estratégia será candidatada ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (novo pacote de fundos comunitários). Recentemente, o presidente da Grande Área Metropolitana de Aveiro (GAMA) e da Associação de Municípios da Ria (AMRia), Ribau Esteves, reclamou urgência na constituição da sociedade Polis, com capacidade legal para intervir na ria. «Face ao estado de abandono da ria, a solução está na entidade que surja da tipologia Polis, anunciada e bem pelo ministro do Ambiente e que queremos que seja constituída o mais rapidamente possível», declarou. O dirigente social-democrata, que é igualmente presidente da Câmara de Ílhavo, sublinhou que, para os municípios ribeirinhos, «a obra mais urgente é o desassoreamento dos canais e a protecção marginal em Ovar e no Lago do Paraíso».


Ribau Esteves renovou as críticas ao Governo pelo «abandono» a que a Ria de Aveiro tem estado sujeita, estimando em cerca de 600 mil euros a verba que o Estado já perdeu por nem sequer arrecadar as taxas dominiais, correspondentes a licenças de amarração dos barcos, de mariscadores, de associações náuticas e taxas sobre edifícios das margens. «Chegou-se ao ponto do abandono até administrativo e o governo, que se queixa tanto da falta de dinheiro, nem as taxas dominiais de 2006 e 2007 conseguiu cobrar, que representam cerca de 600 mil euros, como era sua obrigação. Esperamos que as coisas mudem muito rapidamente», comentou.

In: http://www.diarioaveiro.pt/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O outro lado da pesca...

A pesca recreativa...


Na "meia laranja"... a espera.


Depois novamente iscar...

E eis que pode surgir o tão ansiado...


Mas pode ser de várias formas...



E até em vários momentos...
Em momentos diferentes, em locais diferentes, em horas diferentes e o Mar está sempre pronto a dar os "seus" peixes para lazer do Homem. É assim a dádiva do Mar! É disto que vive a pesca recreativa.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A gente do Mar...



"Gente do Mar, heróica e boa!
O Sol já canta hinos de aurora!
Vira do barco a linda proa,
deixa-o partir pelo mar fora.

Num labutar, sem ter sossego,
partem em bandos os pescadores...
Lá vão largar, lá vão sem medo,
ganhar o pão com seus suores.

Que Deus vos dê muita alegria,
no vosso modo de trabalhar!
Gente do mar boa e sadia,
Oh triunfal! Oh triunfal!
Gente do MAR!"
(letra de uma canção de Aveiro)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Entre malhas e milhas...





Imagens que valem mais que mil palavras...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Ainda a festa da beira-mar...



"O povo do bairro da beira-mar, durante o Verão, vivia da safra do sal, e de Inverno, da faina da pesca na ria. "

Hoje ainda se podem ver as naças da pesca a serem utilizadas para outro fim... Servem para apanhar cavacas! Era desta forma curiosa que os homens da beira-mar apanhavam as cavacas e ainda hoje se mantém este hábito.

O mês de Janeiro, quando se realiza a festa do padroeiro do bairro, é tempo da faina da pesca e as naças saíam de casa para apanhar cavacas!
Esta forma curiosa ainda hoje se mantém...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

o santo de hoje

Não poderia deixar passar o dia 10 de Janeiro sem falar no São Gonçalinho… Todos o conhecem assim em Aveiro.


"O beato s. Gonçalo era oriundo de Arriconha, freguesia de Tagilde, perto de Guimarães, onde nasceu no ano de 1190, numa nobre família minhota, de apelido Pereira.
Destinado à vida religiosa fez os seus votos de sacerdócio e tornou-se pároco de Tagilde.
Deixou a sua paróquia entregue a uma sobrinho, também padre, peregrinando pela Terra Santa, durante 30 anos. No regresso a Tagilde a paróquia foi-lhe negada pelo sobrinho.
S. Gonçalo, sem querer confusões, recolheu-se num monte de Amarante como eremita. Apenas vinha à vila para fazer as suas pregações, já que o povo apreciava muito o seu poder oratório. Acabou por falecer a 10 de Janeiro de 1259, seria beatificado em 1561 pelo Papa Pio IV, como resultado da devoção que d. João III teria pelo Santo."

De imediato pode não ser feita a ligação dos temas deste blog a este Santo… Mas ele sempre foi acarinhado pelo povo da beira-mar, e por isso a sua relação a Aveiro, ao mar e à ria. Aqui vos deixo uma pequena história curiosa acerca do São Gonçalinho que demonstra bem a ligação da gente do mar para com este exemplo de vida que foi o São Gonçalinho.

"O povo do bairro da beira-mar, durante o Verão, vivia a safra do sal, e de Inverno, na faina da pesca na ria. Num ano em que a pesca ia muito má, um pescador, que diariamente passava pela capela de S.Gonçalinho, naquele dia decidiu fazer uma promessa ao Santo. Se naquele dia tivesse uma boa pescaria, a primeira bateira de peixe que apanhasse seria para o Santo.
Seguiu para a faina e em pouco tempo tinha a bateira cheia. No entanto, disse para consigo que aquele peixe seria para ele e a próxima bateira que apanhasse entregaria ao Santo.
Terminava este pensamento e deu-se uma grande marola na ria, virou-se a bateira e perdeu-se todo o peixe. Naquele dia, não conseguiu pescar mais nada!"

Durante o próximo fim de semana realizam-se as festas em honra de São Gonçalinho no bairro da beira-mar sendo conhecidas por todo o país pela sua característica ímpar de “choverem” pães de açúcar, denominadas cavacas, do alto da capela.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Do alto do meu farol...

Nos primeiros dias do ano procura-se a praia para passear, visitar o amigo mar que não se vê desde o "ano passado"... Também eu fui até a praia da Barra, num dia de neblina, mas de uma serenidade própria de um dia de Inverno.
Deparei-me, mais uma vez, com as gaivotas, as "banhistas" de todo o ano, as companheiras das ondas, as habitantes fieis das dunas... Mas uma chamou-me deveras à atenção, quase que poderia dizer que seria a "patroa" de todas as outras, a "rainha" do bando ou simplesmente a guarda da praia... Ela ali estava de forma majestática no cimo do seu farol...

Do alto do meu farol,

Vejo o molho sul e o norte,

Estou mais perto do Sol,

Sinto o vento fraco e o forte...

Do alto do meu farol,

Como é lindo ver o mar

Ouvir um rouxinol

E a maresia inalar...


Do alto do meu farol

A sonhar peço um desejo,

Num radiante pôr-do-sol

Ir à Barra dar-lhe um beijo!

Poema inédito. Créditos: Gaivota da Revessa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A ria a correr nas entranhas...

Com o úlimo post chegou o ano de 2008... Mas como simples coincidência encontrei um texto que não poderia deixar de colocar pois, tem a ver com o meu anterior post. E é sempre bom começar o ano com novas ideias, boas influências, paixões e grandes ambições...

Tal como eu citei, no último post, a forte ligação dos aveirenses com a Ria, o Mar e tudo o que seja marítimo houve alguém que o fez da melhor maneira! Aqui vos deixo um texto de um aveirense cheio de orgulho e paixão pela sua terra. É de D. João Evangelista de Lima Vidal, Bispo e Poeta. Celebra-se a 5 de Janeiro 50 anos após a sua morte.

Vale a pena ler e saborear!


“Eu nasci em Aveiro ao que suponho na proa de alguma bateira. Fui baptizado à mesma hora nas águas da nossa Ria. Abriram-se-me os ouvidos ao som cadencioso dos remos no mar. Ao pio estríbulo das famintas gaivotas, ao pregueado inocente dos pescadores, encheu-se-me o peito à nascença do ar salgado da maresia.

S. Francisco de Assis chamava a estas coisas irmãos: o irmão Vouga, o irmão luar que à noite prateia, os irmãos peixes, as irmãs espumas, areias, estrelas. Mas aqui há mais do que uma simples fraternidade, há mais do que a suave harmonia da natureza e da alma de Aveiro; chego a crer que há uma verdadeira encarnação: o encontro de duas coisas no mesmo ser.

Nós, os de Aveiro, somos feitos dos pés à cabeça de Ria, de barcos, de remos, de redes, de velas, de montinhos de sal e areia, até de naufrágios. Se nos abrissem o peito encontrariam lá dentro um barquinho à vela ou então uma bóia ou uma fateixa ou então a Senhora dos Navegantes. Assim plasmado de Aveiro, com os beiços a saber a salgado, a pingar gotas de ria por todo o corpo, por toda a alma, eu sou uma nesga, embora minúscula, desta deliciosa aguarela de Aveiro. Eu sou um pedaço da nossa terra.”

D. João Evangelista de Lima Vidal, ilustre aveirense. (02-04-1874/05-01-1958)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Vai chegar 2008...

2008 está quase a chegar... Tal como nesta foto, que o novo ano seja virado para o céu! Sempre com os olhos postos no futuro, nas nossas expectativas, nas nossas esperanças e acima de tudo disparando em direcção à realização dos nossos sonhos...


2008 está quase a chegar... Que o novo ano possa ser a ponte que nos levará aos outros... A todos aqueles que, por algum motivo, nos lembramos menos vezes, simpatizamos menos... Que seja tambem a ponte para vermos o Mundo de outra forma respeitando a igualdade pelos nossos semelhantes...

2008 está quase a chegar... E com ele renovam-se promessas para a vida, metas para atingir... Umas nunca chegarão ao céu da nossa realidade, outras decerto que atingirão a nossa vida de variadas formas, brilharão no nosso céu e espalharão a nossa alegria pelos outros...

E 2008 está mesmo quase a chegar... Que, como nesta fotografia, o novo ano seja cheio de tudo e de nada... De tudo o que nos faz feliz e de nada o que nos possa ''deitar abaixo''!

Desejo a todos os que por aqui passam e irão passar um 2008 cheio de brilho, cheio de trabalho, cheio de alegrias, cheio de saúde e cheio de pequenas felicidades...

Que as velas do moliceiro que se erguem no vosso coração possam sempre estar dispostas a amparar os ventos maliciosos e singrar na Ria calma... Que a proa do ''vosso'' moliceiro seja sempre bem colorida e o calado bem grande para guardar tudo o que for recordação.

FELIZ ANO 2008!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Bicicletas aquáticas a caminho da Ria

Dez são o número provável de bicicletas aquáticas que vão começar a «circular» nos canais urbanos da Ria de Aveiro, a partir da próxima Primavera. Alguns protótipos puderam ontem ser vistos e até experimentados.

Ontem foi dia de demonstrar e experimentar as bicicletas aquáticas que vão circular nos canais urbanos da Ria de Aveiro, já no próximo ano. Junto ao Quiosque BUGA (ao lado do Forum Aveiro), foram muitas as pessoas que pararam alguns minutos da sua azáfama natalícia e observaram os «estranhos» veículos que circulavam no Canal Central. As bicicletas aquáticas prometem dinamizar o sector turístico na cidade de Aveiro, dar mais dinamismo aos canais urbanos e proporcionar a todos uma forma diferente de visitar a cidade. De acordo com o vereador Pedro Ferreira, devem começar a ser vistas na Ria «pouco antes da chegada da Primavera». Um projecto que resulta da parceria entre a MoveAveiro – empresa municipal de mobilidade, e a Media One, uma empresa recentemente criada, com o objectivo de desenvolver projectos na área da publicidade, multimédia e Internet. As bicicletas aquáticas vão ser disponibilizadas em formato de um e dois lugares, terão que ser pagas pelos utilizadores, ao contrário do que acontece com as BUGA’s, e vão ficar atracadas na zona do Quiosque BUGA, num ancoradouro que ainda será construído. Quanto aos percursos, só poderão ser definidos após a aprovação do projecto pela Capitania do Porto de Aveiro.

Vítor David é o criador das bicicletas aquáticas e explicou ao Diário de Aveiro tratar-se de um «projecto que foi evoluindo aos poucos e por fases». Tudo aconteceu ao longo de dois anos, num período em que Vítor David esteve desempregado e «a sua concepção foi muito inspirada na estrutura dos catamarans, quer em termos de formas, quer até de materiais». Neste momento, este criador está a ultimar os pormenores para a criação de uma empresa que se vai ocupar do fabrico destes veículos. A sede será em Sangalhos e o pavilhão/fábrica ficará localizado na Borralha (Águeda). Mas o dia de ontem também serviu para a MoveAveiro apresentar à cidade o novo veículo da sua frota. «Trata-se do superar de uma lacuna há muito sentida na empresa municipal, isto é, a falta de um autocarro adequado a viagens longas. Terá capacidade para cerca de 60 pessoas e poderá ser alugado», explicou Pedro Ferreira ao Diário de Aveiro.

E neste, tal como em todos os autocarros da frota da MoveAveiro, vai começar a funcionar uma nova plataforma de comunicação. Também resultado da parceria entre a empresa municipal e a Media One, trata-se de uma plataforma designada «moveTv» e consiste em écrans LCD estrategicamente colocados no interior dos autocarros onde vão ser, constantemente, transmitidos conteúdos informativos, de teor cultural, serviços, publicidade, entre outros. Numa segunda fase, esta plataforma vai possibilitar uma interactividade com os passageiros, nomeadamente, o envio de horários via «SMS», ou ainda permitir o acesso à Internet durante as viagens. Está ainda prevista uma futura interligação com o sistema GPS, informando os utentes da localização e o tempo de espera de cada autocarro.

Notícia do dia 23 de Dezembro de 2007, disponivel em www.diarioaveiro.pt.

domingo, 23 de dezembro de 2007

O Natal Aveirense!

Depois de elogiar a Ria de Aveiro deixo-vos algumas fotos onde se pode comprovar o encanto das suas águas, embelezadas pelas luzes, na época de Natal!

A luz e a água uma combinação de dois elementos fortes que nos deixam a reflectir na sua beleza e na quadra natalícia ganham outro espírito!











Feliz Natal a todos os que passem por cá, amigos e visitantes! Que o Natal tenha sempre tanta luz como estas fotos!

sábado, 22 de dezembro de 2007

A nossa Ria...

Sempre houve apaixonados pela nossa ria, pelos seus canais, moliceiros e mercanteis, gaivotas e maresia…

Um poema de amor é sempre uma escrita fascinante que nos leva a fantasiar… O poema que vos deixo, transformado depois numa música, coloca a Ria de Aveiro como a ninfa inspiradora do autor… Aquela que espelha os desejos dos Homens, aquela companheira que, de forma silenciosa, assiste aos mais belos romances de amor… Um Verdadeiro Paraíso da Alegria!
Oh Ria berço de Sonho
Espelho do meu desejo
Tens um encanto risonho
És todo o prazer dum beijo
Tão bela fresca e airosa
A espreguiçar-se na areia
És fada maravilhosa
Com atracções de sereia
Oh! Ria
Oh! Ria tão formosa
Oh! Ria!
És o meu ideal
Oh! Ria és tão bela e tão airosa
És a ria mais ditosa
Das rias de Portugal
Ao poente as tuas águas
Cheinhas de graça e cor
Fazem espairecer as mágoas
E aumentar o amor
Por isso tu dás saúde
Aos corações em magia
És jardim da juventude
Paraíso da alegria

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Botadela



Por alturas de Maio a marinha era colocada a sal novamente dando-se o nome de “botadela”, significando botar a marinha a sal.
Todos se ajudavam mutuamente… Os marnotos de cada marinha ajudavam os colegas e iam rodando por todas as marinhas.
Quando chegava a hora do almoço, a que os marnotos chamavam curiosamente de “jantar”, as mulheres iam ter com eles levando o farnel ou fazendo-o lá no palheiro. Era típico neste dia comer-se uma caldeirada de peixe.

Aqui deixo outra canção própria da Botadela.

Escusado é procurar
Não há sal como de Aveiro
Podem ir de Norte a Sul
O nosso é sempre o primeiro

Debaixo de um sol ardente
Que até corta o coração
Andamos na faina da vida
Para ganhar o nosso pão

Vamos todos nos ajudar
Nas marinhas a sal botar…
E depois dela botada
Vem a bela caldeirada!

domingo, 16 de dezembro de 2007

A safra...

Todo o trabalho nas salinas é árduo, muitas vezes de sol a sol... aqui deixo mais uma canção dos anos 60, típica de Aveiro, mas pouco conhecida!

Anda o sol pela ria

De manhã até à noitinha

Marnotos em porfia

A botarem a marinha


E o marnoto, bom deus

Vendo o sal em seu louvor

Ergue os olhos ao céu

Reza a Nosso Senhor


Oh salineiro anda ligeiro

Olha que a chuva pode chegar

E a salina que é tua mina

Se vem a chuva tens que a alagar


A água vai entrando

Espelho de cristal

E o marnoto cantando

Começa a rer o sal


Depois na canastrinha

Segue o sal o seu destino

Serve para a cozinha

E baptizar o menino


Música dos nossos antepassados por mim recolhida através de uma pessoa de família. Era este tipo de músicas, assim me explicou com os seus 80 anos, que as esposas cantavam aos seus maridos ao vê-los trabalhar na marinha e, como forma de incentivo, lhes cantavam da eira (local onde se acumulava o sal nos montes).
Um verdadeiro hino ao homem das salinas!

Painel de azulejo da Fábrica Aleluia, 1992.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O sal nasce...

na SALINA! Mas o que é uma salina?

É um conjunto de reservatórios estabelecidos nas margens dos estuários em antigas zonas de sapal e que permitem a extracção do sal da água da ria. Embora sejam construções feitas pelo Homem ao longo dos séculos, proporcionam excelentes condições de refúgio, alimentação e nidificação a uma grande variedade de aves, em especial às aves limícolas.

Representação de uma Salina em miniatura



As salinas são espaços organizados de modo a encaminhar a água salgada para as superfícies destinadas à evaporação. À medida que a água passa de um reservatório para o seguinte, a concentração de sal vai aumentando. Tendo isto em conta, coloca-se por ordem de salinidade crescente os seguintes reservatórios: PEJO, SUPERFÍCIE DE EVAPORAÇÃO E CRISTALIZADORES.


Normalmente as salinas trabalham de Março a Dezembro, respectivamente o início da actividade da marinha (preparação, arranjo e limpeza) até ao transporte do sal e alagamente da salina. Ver imagens ilustrativas a seguir.




terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sal de Aveiro

Depois dos belos textos acerca da ria de Aveiro e de toda uma aventura imaginária por outros tempos, outras realidades e outros aromas deixo-vos um hino.

Uma canção que exalta mais uma vez a Ria de Aveiro e em particular o sal, é chamado de "Sal de Aveiro". A música, composta pelo prof. Severino Vieira, ainda hoje é cantada pelos grupos culturais da cidade.
Oh linda ria de Aveiro

De beleza sem igual

Dás à cidade o letreiro

Veneza de Portugal!


Para matar o desgosto

Que ao coração nos traz mágoas

Vamos mirar nosso rosto

No espelho das tuas águas...



SAL DE AVEIRO, SAL DE AVEIRO

DE TODOS O MELHOR SAL!

SAL DE AVEIRO ÉS O PRIMEIRO

O MELHOR DE PORTUGAL!



Nós somos da beira-mar,

Vivemos ao pé da ria

Nela sempre a lutar

Pelo pão de cada dia...


Sal de Aveiro é o produto

Do nosso intenso lidar...

Sal de Aveiro é o fruto

Dos homens da beira-mar!


domingo, 9 de dezembro de 2007

A ria e os seus tesouros...


«Com água e luz, a alma aveirense é feita de sal. Sal fino. Sal finíssimo. Diferente do sal traçado do Tejo ou do sal grosso de Setúbal. Sal. Sal a que já chamaram tudo: «ouro branco», «sangue branco», «grão divino», «sal da vida», «milagre branco». Às quadrículas azuis das marinhas chamou Almada Negreiros «janelas do céu».
D. João de Lima Vidal viu nas salinas «tabuleiros de cristal». Poesia de sal. O sal inspirou poetas. O sal temperou sonhos. O sal purificou a paisagem. Mas o sal também é suor. Muito suor. É labuta de gente crestada pelo Sol há mais de mil anos. (O mais antigo escrito que testemunha a existência de salinas em Aveiro é do ano de 959). Gente laboriosa. Gente salgada. Sal da terra.


Depois dos trabalhos do Inverno – sigamos agora a musa delicada de Costa e Melo –, «antes de o sal começar a nascer, como que a medo, em espumas, ele mostra-se ao Sol que lhe dá brilhos e reflexos de beleza sem par. Depois, as janelas do céu caem e o cristal delas começa a fazer negaças à luz, chamando-a para o noivado». Um bailado meticuloso de luz e sombras, de água e espuma, de moços, mulheres e marnotos, de rodos e canastras vai esculpindo, durante meses, uma moldura de montinhos de sal, que fulgem de luz como diamantes na imensidão aberta da planície. «A cordilheira começa a tomar formas de fruto, a mostrar-se para o amadurecer da montanha que o espera em forma de cone. Com o tempo e a ajuda do vento, os cones vão fazendo parte da paisagem, cada dia mais salgada». Mas, hoje, os saleiros já não transportam o sal para os palheiros do canal de S. Roque. Também os moliceiros já não rapam os fundos verdes da ria. O sal de Aveiro vive momentos difíceis. Os marnotos escasseiam. As marinhas, que já foram às centenas, contam-se hoje pelos dedos das duas mãos. Começam a sobejar dedos. Mas resistem.


Afligimo-nos nós, que não as queremos perder. Lutamos contra o tempo. Sonhamos outros tempos para elas e para nós. Como diz o nosso poeta maior, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades». Houve um tempo, conta o bispo Lima Vidal, em que o sal não se comprava. «Quando iam para a estação do caminho-de-ferro os carros de bois que levavam o sal, vinham as cozinheiras, estendiam ao condutor as suas vasilhas, só lhes agradecendo a dádiva». Esse tempo, como outros tempos idos, não volta mais. Hoje, o sal de Aveiro tem de concorrer com os preços mais baixos do sal produzido no norte de África…»


In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Aveiro e a ria... A ria e Aveiro...

«Parece que finalmente todos compreenderam as palavras avisadas de Raul Brandão: «Ninguém aqui vem que não fique seduzido, e, noutro país, esta região seria um lugar de vilegiatura privilegiado. É um sítio para contemplativos e poetas: qualquer fio de água lhes chega e os encanta. É um sítio para sonhadores e para os que gostam de se aventurar sobre quatro tábuas, descobrindo motivos imprevistos.



É-o para os que se apaixonam pelo mar profundo e para os medrosos que só se arriscam num palmo de água – porque a ria é lago e mar ao mesmo tempo. Com meios muito simples, um saleiro e uma barraca, tem-se uma casa para todo o Verão. Pesca-se. Sonha-se. Toma-se banho.



Esquece-se a vida prática e mesquinha. Dorme-se ao largo, deitando-se a fateixa ou abica-se ao areal: um fogaréu, uma vara, a caldeirada…» Apesar das mudanças das últimas décadas, a influência da ria, desse mar de água pouco profunda, das suas ilhas, dos meandros de canais e esteiros, continua decisiva no ar que respiramos. Na temperatura. Na humidade. Na luz que nos inunda e envolve. Na fina neblina que adoça cores e formas. No nosso olhar. Na nossa identidade.



Com uma superfície de cerca de 11.000 hectares – 6.000 ocupados permanentemente pelas águas, 2.000 por salinas, cuidadas, abandonadas ou convertidas à piscicultura, e a restante por praias, cuja formação está ligada à ocupação agrícola, a ria de Aveiro é incontornável. Só por cegueira foi possível ignorá-la tanto tempo…" »



In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004



terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Novidade!


Porto de Aveiro recebe a maior grua a operar em Portugal


A maior grua portuária alguma vez instalada em Portugal chegou ontem ao Porto de Aveiro pela mão da Socarpor, que investiu 3,3 milhões de euros na máquina.


O porto de Aveiro recebeu, ontem de manhã, a maior grua alguma vez instalada numa estrutura portuária portuguesa. Trata-se de um investimento efectuado pela empresa Socarpor - Sociedade de Cargas Portuárias avaliado em 3,3 milhões de euros. A grua dispõe de uma capacidade de elevação de 120 toneladas, praticamente o dobro (65 toneladas) da potência do maior equipamento actualmente existente no país, igualmente instalado pela Socarpor no porto de Aveiro (Terminal Sul, que se encontra concessionado à sociedade aveirense). A nova máquina (uma Gottwald 7408 B, importada por barco da Alemanha) vai operar no Terminal Agro-Alimentar do porto de Aveiro, também concessionado à Socarpor, dispondo de um balde com 33,5 metros para descarga de cereais com capacidade para transportar 27 toneladas de produto, o equivalente à carga de um veículo pesado de transporte de mercadorias. Para funcionar, a grua apenas necessita do trabalho de um homem, que operará a 26 metros de altura numa estrutura com 120 metros quadrados. A empresa aveirense tem igualmente em curso a construção de um conjunto de silos para armazenamento de cereais no Terminal de Granéis do porto de Aveiro, representando um investimento orçado em 20 milhões de euros. A obra foi iniciada em Agosto e deverá estar concluída em Abril do próximo ano, revelou Ferreira Jorge, director da Socarpor, ao Diário de Aveiro. Estas estruturas poderão receber até 60 mil toneladas de cereais em depósito, a mesma capacidade de um armazém que a sociedade aveirense irá também construir no local e que será destinado a produtos – como farinhas – que não podem ser conservados nos silos. Rui Cunha

domingo, 2 de dezembro de 2007

As riquezas da Ria de Aveiro

«Hoje, a população já não depende de igual modo da laguna. As actividades turísticas a ela associadas estão a dar os primeiros passos. Que terão de ser sustentados. Equilibrados. A pesca cede o lugar à piscicultura. A ria ainda dá solhas, linguados, robalos, enguias e bivalves, como ameijoa, o berbigão e o mexilhão.


Mas já não é propriamente um modo de vida. A pressão das indústrias, desde o início do século XX, e a dominação económica dos serviços, nos últimos decénios, puseram as populações ribeirinhas de costas para a laguna. No entanto, a situação está a mudar. Vivemos um tempo de transição. A ria está agora a ser redescoberta e diversamente valorizada. Como que por milagre, a ria tornou-se aos olhos de todos um importante, senão o mais fecundo, recurso científico, cultural e turístico da região.


Estamos a redescobrir toda a sua beleza natural, as suas ilhas, os seus canais e esteiros em mutação constante, estamos a compreender a importância da sua flora e da sua fauna, a aprender o valor incalculável do seu equilíbrio, que importa proteger.


A ria de aveiro, «como quase todas as zonas húmidas, é um lugar de excepção para a conservação de inúmeras populações de aves, com destaque para as aves aquáticas». Como refere João Nunes da Silva, «na ria de Aveiro estão identificados dezanove tipos de habitats naturais, incluindo dois prioritários», factores que a tornaram «a zona húmida mais relevante para a conservação da avifauna aquática situada a norte do rio tejo, sendo actualmente uma Zona de Protecção Especial para a Avifauna. Pilritos, maçaricos, borrelhos, andorinhas-do-mar, pernas-longas, alfaiates e mais recentemente flamingos, são apenas algumas espécies, entre outras, que acorrem à ria de Aveiro, sendo os meses de Inverno os mais ricos em diversidade. Dez a quinze mil é o número de aves que a ria de Aveiro recebe durante os meses de Outono e Inverno, muitas delas vindas de paragens longínquas do norte da Europa.»


In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Da imaginação à ilusão...

Imagem recolhida do site: http://www.olhares.pt/; direitos reservados ao autor.

Assim que me deparei com esta fotografia no meu computador a minha imaginação começou a trabalhar... Foi uma coisa de instantes, daquelas que não se explicam plas leis da razão... Quase como o "clic" de uma paixão!

Efectivamente a foto está bonita, invulgar, muito harmoniosa mas que poderia bem esconder uma história mais ou menos elaborada. Podia contar daquelas histórias que começam com o "era uma vez"... e desenrolar a história de um casal de garças e uma gaivota da Ria de Aveiro que, perdidos dos seus bandos, ficaram por ali para passar a noite e seguirem novos rumos ao amanhecer. Mas como não saberiam para que "lado" teriam ido os amigos ficariam eternamente gratos àquele diabrete do menino Zezinho que os ajudou a orientar através da sua bússola nova...

Podia ser assim uma versão! Tantas histórias que se contam aos pequeninos antes de dormir, ou melhor, que se contavam, que uma delas poderia mesmo ser esta ou uma idêntica! Tendo como moral da história a ajuda aos outros, a preservação e o respeito pelos animais e a eterna magia dos "animais que falavam" daria a cor necessária ao conto!

Se fosse uma pessoa bem disposta, alegre e em plena brincadeira poderia até sugerir que uma garça e a gaivota poderiam estar na hora do "recreio" saltando de pedrita em pedrita em plena animação! Mas se, por outro lado, fosse uma pessoa mais pessimista, que estivesse numa fase complicada da vida poderia ter outra leitura totalmente diferente... poderia sugerir temas como a solidão, o vazio, a tristeza ou então retirar harmonia, paz e serenidade.

Mas a minha imaginação não paráva e foi mais longe... Olhei mais uma vez para a foto e eis que outra ideia me surgia... Lembrei-me de tantos pescadores e marinheiros que desbravaram este Mar fora, uns em busca de novas terras, outros sabendo bem as rotas a seguir à procura do "pão nosso de cada dia". Se um deles olhasse para esta foto decerto iria recordar histórias, episódios ou simples momentos passados no Mar, com as gaivotas por companhia... Muitos andavam no mar durante longo tempo e entravam mesmo no desespero mas, ouvindo o característico som das gaivotas, saberiam que depressa chegariam a terra. Elas eram o sinal, eram " a boa nova", eram a notícia tão esperada de uma chegada ao porto seguro, ao afecto e amor da família...

O que uma simples, mas bela, fotografia pode fazer... Onde ela nos pode transportar e em quantas coisas pude pensar e reflectir. Muito curioso mas com o seu encanto!

Apenas quis partilhar este devaneio...


domingo, 25 de novembro de 2007

Ria de Aveiro - Biologia III

Sedimentos e Vida Aquática

O problema dos sedimentos na Ria de Aveiro prende-se essencialmente pela existência de contaminações de metais pesados, em determinadas zonas sujeita a descargas de fluentes. A concentração de Mercúrio na Ria é irregular, nuns locais é muito elevada e noutros quase inexistente. A média é de 0.72mg/Kg de mercúrio no sedimento seco. Além de Mercúrio pode encontrar-se ainda quantidades variáveis de Cádmio, Cobre e Zinco.
Realizaram-se várias experiências em seres aquáticos e chegou-se à conclusão que existem valores muito diversos de materiais pesados e organoclorados, como por exemplo Chumbo, Magnésio, Cobre, Ferro, Cádmio, Zinco, Níquel, PCB e DDT, nos referidos seres. O Chumbo e o PCB destacam-se por apresentarem valores superiores comparadamente com outros valores registados no resto do país.

Em resumo são factos de relevo da caracterização da qualidade da Ria de Aveiro os seguintes aspectos:

a)Poluição orgânica geral;

b)Poluição fecal;

c)Poluição química.

Estes posts sobre a parte da Biologia da nossa Ria de Aveiro foi instrumento de pesquisa vária, nomeadamente em: HENRIQUES, P. C. - Parques e Reservas Naturais de Portugal. Editorial Verbo, Lisboa 1994, entre outros folhetos diversos da área.
Foi aliciante esta pesquisa para me dar a conhecer outros aspectos da Ria e assim aqui poder partilhar algumas das informações.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ria de Aveiro - Biologia II

Biótopos terrestres associados à laguna - Embora apresentem uma fauna característica, nomeadamente os biótopos florestais, parte dos seus habitantes utilizam também os biótopos lagunares típicos, durante a sua rotina diária.

Dunas Litorais
As dunas litorais suportam uma vegetação muito específica adaptada às condições agrestes da proximidade do mar, falta de água e pobreza dos solos. Apresentam importantes funções como barreira física de protecção das zonas interiores em relação aos ventos costeiros, são sistemas muito dinâmicos e, por isso, muito frágeis.

Dunas Arborizadas
As dunas arborizadas em particular a mata de São Jacinto apresentam uma diversificada comunidade de aves florestais, cujos grupos mais representativos são as aves de rapina diurnas e nocturnas e os passariformes.
Estas áreas, quando pouco perturbadas, podem tornar-se relevantes para diversas espécies aquáticas que utilizam as pequenas lagoas que existem no seu interior.

Bosque Ripícola e «Bocage»
O bosque ripícola e o «Bocage» são biótopos que apresentam uma elevada diversidade florística e entomológica. Esta elevada biodiversidade reflecte-se não só na avifauna, mas também nas comunidades de mamíferos que aqui apresentam um grande número de espécies. Entre os mamíferos, destacam-se os carnívoros (doninha, marta, fuinha, gineta e a lontra.)



Gaivotas nas Dunas



Flamingos na Ria

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Gestão da Ria de Aveiro numa encruzilhada

A Ria é uma imensidão de problemas e oportunidades bem caracterizados, ou não fosse o laboratório a que a Universidade de Aveiro recorre há 30 anos para matéria de estudo e teses de doutoramentos.


Quem e como gerir tantas e tão diversificadas actividades e interesses, nem sempre coincidentes, são perguntas que a extinção da Junta Autónoma do Porto de Aveiro (JAPA), em 1998, deixou, na prática, sem respostas, apesar da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) ter assumido a tutela administrativa.

O ministro do Ambiente, Nunes Correia, tem resistido às reivindicações dos municípios para criar uma nova estrutura de gestão. Quando muito, abriu a porta a delegar tarefas no âmbito das novas administrações hidrográficas em fase de instalação.

O empenho da tutela, nesta altura, para estar voltado para replicar o modelo dos programas Polis no litoral em acções de requalificação urbana, de conservação da natureza e de requalificação dos espaços naturais.

No caso da laguna, já preconizados em estudos da Associação dos Municípios da Ria, nomeadamente no Plano Intermunicipal de Ordenamento da Ria de Aveiro.
José Eduardo Matos, autarca de Estarreja, alinha no repto “se levar a acções práticas e calendarizadas” para executar “obras físicas” e, condição principal, “sejam dotadas de orçamento.”

Traço comum das povoações ribeirinhas, a Ria de Aveiro cunhou a identidade cultural das suas gentes que têm no barco moliceiro o símbolo maior.

Ao longo dos seus 47 quilómetros de extensão, de Ovar a Mira, entre canais e ilhas, passando pelo salgado, alberga paraísos de biodiversidade que sobreviveram a anos de agressões ambientais.

Salinização ameaça
Se a abertura da barra do Porto de Aveiro foi a ressurreição de uma morte que parecia quase certa há dois séculos, o impacto das amplitudes de marés é ainda hoje ameaça pelo avanço da salinização para campos férteis que diques inacabados não chegam para suster.

Constantino Simões, lavrador de 71 anos, que o diga. Criador de bovinos para carne nos campos de Cacia, olha em redor e constata “o crescente abandono de propriedades” afectadas pelos rombos de motas de defesa.

Compatibilizar a fragilidade do ecossistema com a indústria do turismo e alguns projectos de enorme polémica, como foi a Marina da Barra, ou o exercício de actividades piscícolas sem pôr em causa os débeis recursos são dos desafios de todos os dias à beira ria.

A pesca e a apanha de bivalves dão sustento à maior comunidade piscatória lagunar, na Torreira. Ainda assim, Fernando Silva, das Quintas do Norte, continua a ser obrigado a embarcar nas longas viagens para a faina do bacalhau.

“Isto é sempre muito fraco e como agravante o assoreamento dificulta-nos o trabalho”, diz, lamentando “a falta de sorte” dos pescadores locais por não existir naquela zona “pelo menos um cais em condições” para as bateiras.

In: www.noticiasdeaveiro.pt

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ria de Aveiro - Biologia I

A dinâmica física, química e biológica na massa de água e nas suas interfaces (sedimentos, meios oceânicos, dulçaquicola e terrestre) condiciona todo o mundo lagunar/estuarino.
Devido a esta dinâmica constitui-se no seio da laguna e em seu redor uma peculiar diversidade de biótopos de grande importância do ponto de vista ecológico, albergando cada um deles diferentes comunidades de fauna e flora selvagens, e aos quais estão associados um conjunto de recursos naturais que desde há muito são explorados pelo Homem.
São assim de salientar os biótopos lagunares: coluna de água, leito e laguna, bancos interditais e salinas, sopais e caniçais e os biótopos terrestres associados à laguna: dunas litorais, dunas arborizadas e bosque ripícola e «bocage».


Coluna de Água

A água é o recurso natural mais abundante na Ria de Aveiro e condicionou de forma acentuada a actividade humana na laguna.
Na coluna de água habita um conjunto diversificado de seres: plantónicos (bactérias, algas e animais) e peixes.
Algumas das 64 espécies registadas na fauna piscícola, tais como a solha, o linguado, o robalo, a tainha e a enguia têm especial interesse comercial.

Leito da Laguna

O leito de uma laguna formada por areias e/ou sedimentos argilosos apresenta uma comunidade muito diversificada, constituída por bactérias, algas e plantas aquáticas (moliço) e organismos vivos sobre ou no interior do sedimento e servem de alimentaçao a muitos peixes predadores.

Bancos Interditais e Salinas

Os bancos interditais apresentam uma abundante fauna bentónica formada principalmente por moluscos (sobretudo bivalves), anelídeos, poliquetas e crustáceos.
As salinas representam um biótopo alternativo importante para as aves limícolas pois apresentam uma fauna bentónica semelhante e não estão sujeitas às variações da maré, mantendo uma reduzida altura de água.



Sopais e Caniçais

Os sopais e os caniçais são biótopos de elevada produtividade e têm importantes funções nas transferências energéticas dos estuários. Transferem quantidades importantes de matéria orgânica e energia, não só para as águas da laguna e, através dela, para a zona oceânica adjacente, como também para os agro-sistemas nas margens da ria.
Os sopais correspondem a formações vegetais especialmente adaptadas à salinidade das águas estuarinas e à submersão periódica durante a preia-mar.Os caniçais, com uma distribuição mais limitada às zonas periféricas da laguna para além de também proporcionarem alimento abundante nos vários níveis tróficos são particularmente importantes para as aves pois apresentam condições muito favoráveis de abrigo e nidificação de diversos aquáticos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A origem...

In: Lobato, Cláudia;Geografia A 10ºAno;Parte 2; Areal editores; 2003; Porto


A laguna impropriamente denominada Ria de Aveiro está situada no litoral da Região Centro de Portugal.
A ria comunica com o mar por uma embocadura de reduzidas dimensões, que foi aberta e fixada artificialmente através do cordão dunar.
Estende-se por uma área de aproximadamente 50 000 ha, alongando-se por cerca de 50km de comprimento no sentido N-S, de Ovar a Mira, e tendo a largura máxima de 8 km em frente à foz do rio Vouga.
Os movimentos seculares quaternários do nível do mar e, em especial, os posteriores à glaciação estão na base do processo evolutivo na linha da costa, quando vastas áreas de fundos marinhos de translação litoral, como a «corredoura», que se faz sentir de Norte para Sul, a predominância de ventos do quadrante noroeste e consequente direcção de incidência da ondulação na costa.
Tudo começou há cerca de dez séculos, que o mar banhava os locais onde hoje se erguem povoações como Ovar, Estarreja, Aveiro, Mira e Tocha formando no litoral uma baía bastante aberta.
A acção dos ventos dominantes do Este, influenciando a direcção da crista das ondas, conjugada com as correntes de circulação litoral, o que deu origem a uma sedimentação costeira, com a formação de duas flechas ou restingas.
Houve tempos em que nem sequer existia ligação com o mar, o que prejudicava toda a região.
Assim a barra da laguna veio descendo em latitude ao longo dos últimos dez séculos até ser artificialmente estabilizada no início do séc. XIX no local onde hoje se encontra.Podemos dizer, com orgulho, que a Ria de Aveiro e Portugal se formaram ao mesmo tempo. Nasceram simultaneamente por altura do séc. XII e poderíamos dizer, fantasiando um pouco, que enquanto os nossos primeiros reis e os seus homens iam dilatando as terras peninsulares, a Mãe-Natureza ia conquistando ao mar esta jóia prodigiosa que generosamente viria ofertar às nossas terras aveirenses.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A nossa Ria

A Ria de Aveiro é o resultado do recuo do mar, com a formação de cordões litorais, que a partir do séc. XVI, formaram uma laguna que constitui um dos mais importantes e belos acidentes hidrográficos da costa portuguesa.

Abarca 11000ha, dos quais 6000 estão permanentemente alagados, sendo composta por quatro grandes canais, ramificados em esteiros, que circundam um sem número de ilhas e ilhotas. Nela desaguam o Vouga, o Antuã e o Boco, tendo como única comunicação com mar um canal que corta o cordão litoral entre a Barra e s. Jacinto; é por esta passagem que acendem ao Porto de Aveiro embarcações de grande calado. Rica em peixes e aves aquáticas, possui grandes planos de água, locais de eleição para a prática de desportos náuticos.

Muito especialmente no Norte da Ria, os barcos moliceiros, ostentando coloridos e ingénuos painéis decorativos, continuam a apanhar moliço, fertilizante de eleição, hoje ecologicamente revalorizado, que transforma solos estéreis de areia em ubérrimos terrenos agrícolas.

domingo, 11 de novembro de 2007

Belezas escondidas

Batalhando contra o quotidiano e fugindo da correria do mundo escondo-me no silêncio das paisagens e na energia das águas... Sou de Aveiro!
Falar de Aveiro é falar da cidade da água... É falar de Ria de Aveiro.
Hoje deixo-vos alguns detalhes de belezas ímpares! (Canal de São Roque)
De cima do canal...


Compartimentos



Lá longe... o branco




A simplicidade do reflexo

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Dia Nacional do Mar

O Museu Marítimo de Ílhavo divulgou hoje o seu programa de comemorações do Dia Nacional do Mar. Será nos dias 16 e 17 de Novembro.

domingo, 4 de novembro de 2007

O maior navio...

Athena - 160 metros.

O maior navio que entrou na Barra de Aveiro até ao dia de hoje.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Um símbolo, uma história...

Três triângulos. Uma parte de baixo de uma âncora. De facto, o logotipo do Porto de Aveiro passa-nos despercebido quase sempre. Mesmo que muitas vezes nos "apareça à frente" e nos "entre pelos olhos" não pensamos no que vemos.

Hoje, dei comigo a pensar porque razão escolheram este símbolo. Os triângulos porque lembram os montes de sal, de Aveiro, e de areia que se encontram no porto. Mas, também pode ter sido escolhido o triângulo por se associar ao equílibrio. Os homens da Terra deveriam virar-se para Deus, o triângulo mais que perfeito.


A âncora é o instrumento náutico que prende a embarcação e a faz ficar parada em determinada lugar, sem ser levada pela corrente.


A meu ver um porto é isto tudo. Pretende ser o equilíbrio para aqueles que lá trabalham e para os que chegam ser o porto de abrigo que acolhe e dá um tecto; pretende ser ainda a âncora que prende e sustenta, transmitindo segurança.


Este foi um devaneio meu. Uma especulação. Uma simples reflexão minha acerca do logotipo.
"Valeu a pena? Tudo vale a pena quando a alma não é pequena...", já dizia Fernando Pessoa.

sábado, 27 de outubro de 2007


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