quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

No baú do sótão I ...

... encontrei estas fotos de uma colecção de Henrique Ramos. Na primeira foto o farol da Barra, construído em 1885 e 1893. Na segunda foto podemos observar as embarcações a chegarem à festa da Costa Nova.

Verdadeiras relíquias que nos levam a imaginar como seria a paisagem envolvente e os hábitos e costumes dos nossos antepassados!


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Outras visões...


A Ria de Aveiro apresenta grande potencial para ser utilizada, aproveitada e desfrutada. Aqui ficam duas fotografias que demonstram o belo prazer que se pode tirar de um domingo à tarde repleto de sol... Eis que se colocam num pequeno barco e podem fazer vela apanhando os salpicos salgados do baloiçar das águas... ou uma experiência de outra grandeza e enveredar num veleiro através dos canais da nossa ria, sentir a força do vento e a energia das águas.
Dois modos simples para aproveitar e explorar a nossa Ria.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Municípios da Ria dispostos a criar "companhia" das águas - actualidade

Os onze concelhos que integram a Associação de Municípios da Ria (AMRia), liderada por Ribau Esteves, discutem segunda-feira a possibilidade de criar uma empresa para explorar as redes de água, de forma integrada.

É a alternativa a uma proposta da AdP-Águas de Portugal, que prevê a exploração integrada dos sistemas de água e saneamento, em alta e em baixa, para toda a região Centro, que não entusiasma os autarcas do Baixo Vouga.

A integração das redes é assumida como um percurso inevitável para os municípios, quer por indicação do Plano Estratégico para as Águas e Águas Residuais, definido pelo Governo, quer porque o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) condiciona o financiamento europeu a investimentos intermunicipais, aparecendo as autarquias, isoladas, na cauda dos critérios.

No entanto, por considerarem as condições pouco atractivas para os seus municípios, os autarcas da Ria decidiram abrir concurso para o estudo do modelo de integração dos próprios sistemas, cujas propostas são conhecidas segunda-feira.

Aveiro é uma das câmaras com bastantes reservas à proposta das Águas de Portugal, explicadas à Lusa pelo vereador Pedro Ferreira, da administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS).

"As infra-estruturas dos SMAS têm um valor superior a 50 milhões de euros, mas a AdP quer pagar apenas 10 milhões porque desconta o valor dos fundos comunitários (70 por cento), quando não foram eles que deram o financiamento, além de deduzirem o que já foi amortizado (cinco milhões)", disse o autarca.

"No entanto, quando quiserem entregar a privados vão fazê-lo pelo valor do negócio, ou seja, no caso de Aveiro o valor de mercado será de 36 milhões de euros", acrescentou.

Pelos cálculos de Pedro Ferreira, Aveiro tem cerca de 37 mil contadores, "que, à taxa actual, dão, cada um, um lucro de mil euros em 50 anos", concluindo que "é nessa base que deve ser encontrado o valor do negócio".

"Para isso, fazemos nós, seja para concessionar ou para vender, porque não temos de subsidiar nas tarifas o preço de municípios do interior que têm a água mais cara e controlamos nós o processo sem ingerências da AdP", afirmou.

Pedro Ferreira entende que a proposta das Águas de Portugal não interessa, em especial para municípios que já têm as infra-estruturas, como é o caso de Aveiro, com uma cobertura de saneamento de 99,5 por cento, ou de Ílhavo, com cerca de 70 por cento, podendo, quando muito, ter interesse para Vagos, que só tem dez por cento da rede feita.

Se é assim no saneamento, por maioria de razão o argumento é válido para a distribuição de água, porque a maior parte dos municípios já tem infra-estruturas capazes.

"Em Aveiro, a água dá lucro, enquanto o saneamento e os resíduos sólidos urbanos dão prejuízo, pelo que o lucro da água tem de cobrir os prejuízos dos outros", assume Pedro Ferreira, embora reconhecendo ser necessário outro modelo de gestão, porque, isolados, os serviços municipalizados e câmaras têm constrangimentos.

No seio dos representantes na AMRia são admitidas três soluções, além da proposta da AdP.

Uma das possibilidades é criar uma empresa intermunicipal para explorar as redes de distribuição em alta e em baixa, em que as infra-estruturas continuam a pertencer aos municípios.

Pedro Ferreira exemplificou como seria arquitectada essa alternativa: "No caso de Aveiro, que já tem as infra-estruturas, a empresa pagaria ao município os 36 milhões, enquanto no caso de Águeda, que tem ainda o investimento a fazer e representa um negócio de 16 milhões, a autarquia obteria por essa via 70 por cento de financiamento dos fundos comunitários e, como o investimento da Câmara seria de seis milhões, receberia 10 milhões de euros".

Uma variante desta solução, é associarem-se a um parceiro privado com conhecimento do negócio e a terceira hipótese é ser a empresa a constituir pelos 11 municípios a concessionar a exploração a um privado.

"As soluções intermunicipais são o futuro, porque não temos a dimensão de Lisboa e faz todo o sentido repensar a distribuição em baixa ao nível da bacia hidrográfica, até porque a água vem toda do mesmo sítio e não se compreende que as tarifas sejam diferentes", disse.

"Estão a ser feitos estudos sobre essas três possibilidades e depois iremos comparar com o modelo proposto pelas Águas de Portugal e decidir", explicou.

A AMRia integra os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos.

In: Agência LUSA, 22/02/2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Porta de Mar - Ou o abraço entre o sal e o mel

Um vídeo com algumas das fotos da autoria de Paulo Magalhães que estiveram em exposição no Teatro Aveirense.

Fotos que nos mostram movimento, energia, serenidade, água, muita água, rostos e maresia. Dá gosto ver e rever este vídeo numa sexta-feira de sol... convida-nos mesmo ao passeio à beira-mar!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Um livro... sobre o Porto de Aveiro


Destaco a entrevista dada pela Prof. Doutora Inês Amorim ao “Diário de Aveiro”, a propósito do próximo lançamento do livro de sua autoria «Porto de Aveiro – Entre a Terra e o Mar». O lançamento da obra desta reputada investigadora integra o programa das comemorações do 3 de Abril de 2008.

«Acho que a história dos portos de Portugal é uma história por fazer», refere Inês Amorim, autora do livro «Porto de Aveiro – Entre a Terra e o Mar», que tem procurado contrariar essa condição. As comemorações do bicentenário da abertura da barra de Aveiro tornaram-se no cenário ideal para a apresentação do seu mais recente livro «Porto de Aveiro – Entre a Terra e o Mar» – o título do livro é suficientemente lato para abranger tudo, sobretudo, para expressar que este é apenas o princípio da investigação, explica Inês Amorim, autora da referida obra, que será apresentada no dia 3 de Abril, naquele que será um dos momentos chave das comemorações do bicentenário da abertura da barra de Aveiro. Docente de história há 25 anos na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Inês Amorim não é estreante na investigação em assuntos marítimos – na sua tese de doutoramento já tinha tido contacto com a documentação portuária. «Sal, pescas, portos – é a minha área de estudo», enumera a escritora, que já teve intervenção em diversos projectos, como é o caso do «Hisportos».


«A história do Porto de Aveiro é, do meu ponto de vista, a história da manutenção da barra – que é um processo difícil de se fazer. Desde 1808, a barra manteve-se no local em que se encontra actualmente, mas a partir das obras de abertura, desenvolveu-se um outro processo para tentar manter esta barra e corrigir alguns aspectos que não foram conseguidos, porque o processo de assoreamento continuou a existir», argumenta a investigadora. «É um processo muito rico, do ponto de vista das relações entre os poderes locais, a população local e os interesses nacionais. Por isso, a história da barra é uma história muito dinâmica», defende Inês Amorim.


Após as investigações realizadas, Inês Amorim garante que a abertura da barra teve «um impacte felicíssimo. Os seis anos, de 1802 a 1808, foram tempos duríssimos e, ao mesmo tempo, períodos de paixões, em que as pessoas ora adoravam o engenheiro responsável pela obra, ora o ameaçavam, porque não se podia fazer sal, nem produzir pão, nem navegar. Não se podia fazer praticamente nada». A autora do livro classifica aquela época como «terrível», cheia de dificuldades, mas ao mesmo tempo extremamente rica. Em plenas invasões francesas, em 1808, o Porto de Aveiro tornou-se num ponto estratégico, passando, por isso, a existir apoio por parte do poder central no sentido de prosseguir com a obra. Tal como conta a historiadora, Luís Gomes de Carvalho, engenheiro, chegava a referir-se à abertura da barra como a um segundo dia da «criação».



«Porto de Aveiro – Entre a Terra e o Mar» encontra-se dividido em três partes. Na primeira, Inês Amorim escreve sobre a evolução do litoral, as condicionantes e justificações económico-sociais que proporcionaram a abertura da barra de Aveiro. A realização desta obra era importante por questões de navegabilidade, salinidade, etc., mas há um conjunto de produtos fundamentais que vão determinar e justificar a construção do porto, indica Inês Amorim. Como porto interior, é a partir da década de 20 que este se começa a desenhar. «Não há um porto, mas sim muitos portos ao longo da ria – e isso é uma das suas qualidades», revela a investigadora. O sal, o moliço e o junco são fundamentais, mas é o bacalhau que faz desta zona um dos maiores portos nacionais, que pressiona a solidificação do porto de pesca longínqua e costeira, conta Inês Amorim.

A segunda parte da obra destaca o tema da estrutura orgânica e os diferentes sistemas administrativos do porto, desde a superintendência, passando pelas diferentes juntas autónomas, até à actual Administração do Porto de Aveiro, constituída em 1998. A partir de 1802, definem-se duas áreas: a administração (gestão financeira e de pessoal) e a engenharia (direcção de obras), explica a autora do livro. Nas várias juntas houve figuras públicas da cidade, que acabaram por participar activamente na gestão, tendo sido muito reivindicativos junto do governo central, sobretudo relativamente ao financiamento e à a independência económica, acrescenta.

Já a terceira parte do livro abrange a documentação relacionada com a engenharia da abertura da barra, ou seja, a cartografia, os planos que se vão fazendo sucessivamente. «Existem muitas descrições, imagens e desenhos da barra, feitos, sobretudo, pelos holandeses», revela Inês Amorim, acrescentando que depois do desenho e, a partir da década de 30, começam a surgir várias fotografias das obras. As obras de abertura da barra dividiram-se em diferentes fases e diversos engenheiros tanto portugueses, como holandeses, italianos, franceses, ingleses, entre outras nacionalidades. «Há nomes que conhecemos, que marcaram, definitivamente, a história da engenharia em Portugal, que têm uma produção cartográfica extraordinária», refere a historiadora.



Fonte: Newsletter Porto de Aveiro, edição nº 124, de 20 Fevereiro 2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

À noite...




A ria é um mistério,

Olhada como visão;

Com o seu fulgor etério,

Em noites de solidão.



Nos seus sombrios canais,

As águas a marulhar;

Lamentam com fracos ais,

A sua morte no mar.



Fui num barco passear,

Em clara noite de estio;

P'ra ver a lua e a ria,

Brilharem ao desafio.



Ao ouvir um rouxinol,

Adormeci a escutar;

Quando acordei é que vi

Uma tricana a cantar.



Muito mansinhas,

Em remoinho,

Lá vão seguindo,

O seu caminho.




Letra: Adriano Pires
Música: J.M. Horta


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Regata entre as Rias Baixas e a Ria de Aveiro - actualidade

Organização de regata entre as Rias Baixas e a Ria de Aveiro deseja duplicar inscrições

Contar com a inscrição de oito dezenas de barcos à vela é o objectivo da II Regata Internacional entre as Rias Baixas, na Galiza, e a Ria de Aveiro a realizar de 1 a 10 de Maio. A organização espera duplicar o número de participantes relativamente á primeira edição da prova, já que tem despertado grande interesse por parte dos velejadores espanhóis.

Segundo Miguel Varela, da associação À Vela, a regata tornou-se já um dos principais cartazes turísticos da ria de Aveiro. Regata entre as Rias Baixas na Galiza e a Ria de Aveiro, que será apresentada hoje à tarde na Nauticampo, em Lisboa, é já a principal prova de vela ibérica.

http://www.noticiasdeaveiro.pt/

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Em dia dos Namorados...

...aqui vos deixo ficar uma sequência de fotos. Poderiam não dizer nada ou até serem fotos simples sem grande mestria. No entanto ao colocá-las neste dia formam uma história, não sei se será uma história de encantos ou desencantos, de amor ou desamor, ou até parecida com a história de algum de nós, humanos... Mas, no Mundo das fábulas, poderia ser uma história...

Coloco à imaginação dos que aqui vão passando! Deixo as dicas que tem como cenário a Ria de Aveiro e as típicas casinhas da Costa Nova, num fim de tarde frio e soalheiro em que a Ria estava serena e o Mar parecia não querer perturbá-la!









quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Ao Poente...

Como não podia deixar de ser na continuação do post anterior... Aqui fica uma fotografia do pôr-do-sol visto do lado da ria... Numa tarde calma que convidada ao passeio a natureza dá-nos estes presentes, aliando o astro rei e a nossa "rainha"...





"Se eu fosse pintor, passava a minha vida a pintar o pôr do Sol à beira-mar. Fazia cem telas, todas variadas, com tintas novas e imprevistas.


É um espectáculo extraordinário. Há-os em farfalhos, com largas pinceladas verdes. Há-os trágicos, quando as nuvens tomam todo o horizonte com um ar de ameaça, e outros doirados e verdes, com o crescente fino da Lua no alto e do lado oposto a montanha enegrecida e compacta.


Tardes violetas, neste ar tão carregado de salitre que torna a boca pegajosa e amarga, e o mar violeta e doirado a molhar a areia e os alicerces dos velhos fortes abandonados ...


Um poente desgrenhado, com nuvens negras lá no fundo, e uma luz sinistra. Ventania. Estratos monstruosos correm do norte. Sobre o mar fica um laivo esquecido que bóia nas águas – e não quer morrer... " Raúl Brandão, «Os Pescadores».

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ao fim da tarde...




Quantas vezes não esquecemos da nossa ria? quantas vezes nem damos importância à sua existência?
Para colmatar essas falhas e nos fazer valorizar este dom da natureza só mesmo presenciando estes momentos que eternizei através de um flash.
De apreciar as cores, a serenidade, os efeitos de luz sobre as águas... se apenas estivesse a observar talvez não me apercebesse de tantos pormenores...
Mais uma beleza da nossa ria a ser observada apenas em dias de sol...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A Gaivota e a Vida, que relação?

Quando pensei que nada poderia aprender com as Gaivotas eis que encontro este belíssimo filme, este emaranhado de ideias, esta... lição de vida!

Neste domingo soalheiro em que dá vontade de saír, passear, relaxar e ficar de bem com a vida, nada melhor do que levar estas ideias no pensamento...

A gaivota vai-me ensinando algumas coisas e convosco aqui partilho!

Bom domingo!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ciclovia à beira do mar... - actualidade

"Ciclovia do farol até à ponte da barra

A Câmara Municipal de Ílhavo decidiu ontem abrir concurso público para a construção de uma ciclovia e percursos pedonais ao longo da Avenida João Corte Real, na Praia da Barra, que vão ligar o largo do farol à ponte sobre a ria, no início da A25.

A empreitada vai a concurso por cerca de 300 mil euros e tem um prazo de execução de 100 dias.

A pista agora lançada a concurso vai , depois, ligar às ciclovias que vão ser construídas na ponte da Barra, no âmbito das obras de beneficiação em curso.

A autarquia tem também prevista uma ligação desta ciclovia à pista de bicicletas já existente na zona do relvado da praia da Costa Nova. Uma ligação que, na zona da Biarritz, será feita no âmbito das obras de enrocamento e requalificação do margem ponte do canal de Mira.

O objectivo da autarquia, com a construção da pista e dos percursos pedonais, é "melhorar o ordenamento e as condições de segurança de automobilistas, ciclistas e peões, que circulam na Avenida João Corte Real, arruamento central da área urbana da Barra".

A Câmara sublinha, por outro lado, que, com esta obra, aumentam significativamente "os já largos quilómetros de ciclovias do Município de Ílhavo"."

http://jn.sapo.pt

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Há alguns anos era assim...


Nesta época do carnaval Aveiro acorda triste sem a alegria das máscaras ou os ritmos do samba... Este ano não há desfile de carnaval em Aveiro... Ficam as saudades para uns, o alívio para outros e a indiferença para quem não aprecia a quadra...

Aqui deixo ficar este registo fotográfico da chegada dos Reis do Carnaval pelas águas da Ria. A primeira edição foi em 1999 e os canais da ria foram o cenário perfeito para uma tarde mágica de folia. Outros anos se seguiram...

Este braço de mar acolheu o Carnaval e tornou-o o único no país adesfilar pela água, bem à imitação de Veneza!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Eu sei que é uma maravilha...


Aveiro: Ria candidata às sete maravilhas naturais do mundo

A Ria de Aveiro é candidata às sete maravilhas naturais do mundo, como «espaço de água de interesse mundial». A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente.

A Região de Turismo da Rota da Luz revelou ontem a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro à eleição das sete novas maravilhas naturais do mundo. A instituição liderada por Pedro Silva invoca o sucesso da campanha mundial lançada em 2007 pela fundação «7 Wonders of the World», que resultou na escolha das sete novas maravilhas do mundo, para justificar a iniciativa de candidatar a Ria de Aveiro àquele galardão.


A segunda edição da campanha é especificamente relacionada com a promoção da natureza e do meio ambiente, consistindo num modelo em que as candidaturas apresentadas são sujeitas a um processo de escolha final pelo público. A Ria de Aveiro é candidatada como «espaço de água de interesse mundial», esclarece Pedro Silva, aludindo às suas «múltiplas realidades e vivências ambientais com extraordinários recursos endógenos». Esta acção, acrescenta o presidente da Rota da Luz, é «importante» para promover a visibilidade da laguna aveirense «à escala global». «Pretende-se, assim, obter o reconhecimento deste valor universal, sendo certo que o anúncio de candidatura coloca, desde já, a Ria de Aveiro no imaginário mundial dos espaços de elevado valor natural e ambiental», realça o dirigente da instituição.


Segundo o responsável, será criado um comité de apoio reunindo organizações públicas e privadas com o objectivo de «apoiar e dar maior visibilidade» à candidatura. «A inserção da Ria de Aveiro na candidatura releva o potencial turístico desta região, com os consequentes efeitos multiplicadores na economia regional», acrescenta Pedro Silva.


Em Julho de 2007, a Rota da Luz anunciou que estava a estudar a apresentação de uma candidatura da Ria de Aveiro a Património da Humanidade da UNESCO, embora não tivesse revelado prazos para o avanço do processo. A iniciativa contava ainda com a participação da Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro e com o apoio de uma equipa coordenada por Rui Losa, arquitecto que esteve envolvido no projecto que guiou a cidade do Porto a património mundial.


terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ouve-se o Mar

Agora

Que a chuva cai devagar

Lá fora E a noite vem devorar

O sol E tudo fica em silêncio

Na rua

E ao fundo

Ouve-se o mar


Agora

Talvez te possas perder

Devora

O que a saudade te der

A vida

Leva pra longe pedaços

Do tempo

Deixa o sabor de um regaço

E ao fundo

Ouve-se o mar


Agora

Que a água inunda os teus olhos

E o mundo

Já não te deixa parar

No escuro

Voltam as estórias perdidas

Na alma

Onde não podes tocar

E ao fundo

Ouve-se o mar

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Mar - actualidade

Mar devora dunas e ameaça zona costeira

A "erosão aceleradíssima" das dunas na Praia de Mira está a preocupar o presidente da Junta de Freguesia, Carlos Milheirão. A "culpa", diz, é dos esporões - quatro, ao longo da costa - que o Ministério do Ambiente construiu, há cerca de dois anos, para defesa da orla costeira, contra a sua vontade. "Depois disso, passou a verificar-se o desgaste das dunas de dia para dia", lamenta. O problema é que, enquanto os esporões contribuem para a acumulação de areias a norte, há um desgaste do areal a sul. Isto porque as correntes da nossa costa tendem a fluir de norte para sul.

Na praia de Poço da Cruz, Carlos Milheirão aponta as diferenças entre as dunas situadas de um lado e do outro do esporão. A sul, o "devorar" das águas é evidente há dunas reduzidas a metade. A arte xávega costumava fazer-se ali, mas "agora é impossível, porque a praia não tem distância que permita exercer a actividade", afirma o autarca. "Milhares de metros cúbicos de areia saíram, já, daqui. Se, no espaço de dois anos, desapareceu esta areia toda, é uma questão de pouco tempo até o resto ir também e o mar passar para o outro lado", sustenta o autarca. E lembra: "As dunas são a nossa defesa, as nossas muralhas".

O cenário de Poço da Cruz repete-se nos outros pontos da Praia de Mira onde existem esporões. "Insurgi-me, desde o início, contra estas construções", sublinha Carlos Milheirão. Defende, sim, os enrocamentos, construções paralelas à costa que "fazem o que a natureza em si faz criam bancos de areia que provocam o quebrar das ondas afastado da costa".A criação de esporões para evitar a erosão costeira, em Mira, foi uma má solução, concorda Maria de Lurdes Cravo, da associação de defesa ambiental Quercus. Porque, "por efeitos de dinâmica marítima costeira, as areias a sul, normalmente, desaparecem", reforça. Para a presidente da Assembleia Geral da Quercus, Carlos Milheirão "tem razão em estar preocupado". Há que apostar em "medidas preventivas", diz a ambientalista. A fixação de espécies vegetais características do cordão dunar, como o estorno, e de pára-ventos é uma delas. A ocupação humana, nomeadamente sob a forma de infra-estruturas, também é de evitar, explica.

Os esporões em causa já existiam, em Mira, "há bastante tempo", tendo sido "reconstruídos" a pedido da Câmara Municipal com o intuito de salvaguardar pessoas e bens, informou fonte do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional. Por ser problemática, no que respeita ao avanço do mar, essa é "uma das zonas mais acompanhadas e monitorizadas do país", disse ainda. Segundo a mesma fonte, "todas as medidas têm prós e contras" e, no caso dos esporões - estes previstos no Plano de Ordenamento da Orla Costeira -, existe escassez de areias a sul, sobretudo no Inverno. Uma situação que "pode ser corrigida".

In: http://jn.sapo.pt

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O que seria sem ti?

Depois de instantes a percorrer os estrados da praia, sento-me na areia num fim de tarde... Está sol e o mar rebenta as suas ondas com eficácia...

Para aqueles que vivem longe do Mar é sempre motivo de alegria uma ida à praia, uma simples visita ao Mar... e para nós que vivemos à tua beira?

Como é que conseguimos sempre estar fascinados por ti e sentir a tua falta, a necessidade de ir até ti, receber a tua energia, ouvir o teu som e colher a maresia...

Mar, o que seria sem ti?


Mar,
és fonte de riqueza
No menu a cada mesa,
És por vezes também tristeza...
O que seria sem ti?

Mar,
Penso em ti um instante,
Vejo-te, longe tão distante,
Tens a barra tua amante...
O que seria sem ti?

Mar,
Longos quilómetros a percorrer,
Olhar-te até a vista perder,
Para acabar por dizer:
O que seria sem ti?

(Créditos: Gaivota da Revessa)
















Mais um devaneio que aqui partilho com os que me lêem...

Um simples escrito que me levou a navegar por Mar Alto sem me ter levantado da areia...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

POLIS da RIA - a actualidade


Aveiro: Polis da Ria no terreno em «dois ou três meses»

Os trabalhos da sociedade Polis criada especificamente para desenvolver projectos na Ria de Aveiro começarão «dentro de dois a três meses», garantiu esta semana o ministro do Ambiente.

O ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional garantiu esta semana na Assembleia da República (AR) que os trabalhos da sociedade Polis criada especificamente para desenvolver projectos na Ria de Aveiro começarão «dentro de dois a três meses». Segundo o deputado do PSD José Manuel Ribeiro, eleito pelo círculo de Aveiro, Francisco Nunes Correia assumiu terça-feira, perante a Comissão de Poder Local, Ambiente e Ordenamento do Território da AR, que a constituição do Polis se encontra atrasada, mas prometeu para os próximos meses o início dos trabalhos.


O parlamentar social-democrata interpelou o ministro sobre a situação actual da ria de Aveiro, criticando a «inércia» da tutela e advertindo para o estado de «completo abandono» da laguna. José Manuel Ribeiro acusa o Governo de «assistir ao definhar e ao progressivo e sistemático desperdício das potencialidades» da Ria, realçando que só em Novembro passado, durante a discussão na especialidade do Orçamento de Estado para 2008, Nunes Correia «pela primeira vez» se pronunciou ao anunciar o novo modelo de gestão integrada. «Entretanto passaram mais dois meses e nada», lamenta o deputado, lembrando que o Governo anterior tinha um outro modelo da gestão «aprovado e preparado para avançar».


De acordo com Nunes Correia, a solução para a Ria passa por uma intervenção alargada à barrinha de Esmoriz, cuja estratégia será candidatada ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (novo pacote de fundos comunitários). Recentemente, o presidente da Grande Área Metropolitana de Aveiro (GAMA) e da Associação de Municípios da Ria (AMRia), Ribau Esteves, reclamou urgência na constituição da sociedade Polis, com capacidade legal para intervir na ria. «Face ao estado de abandono da ria, a solução está na entidade que surja da tipologia Polis, anunciada e bem pelo ministro do Ambiente e que queremos que seja constituída o mais rapidamente possível», declarou. O dirigente social-democrata, que é igualmente presidente da Câmara de Ílhavo, sublinhou que, para os municípios ribeirinhos, «a obra mais urgente é o desassoreamento dos canais e a protecção marginal em Ovar e no Lago do Paraíso».


Ribau Esteves renovou as críticas ao Governo pelo «abandono» a que a Ria de Aveiro tem estado sujeita, estimando em cerca de 600 mil euros a verba que o Estado já perdeu por nem sequer arrecadar as taxas dominiais, correspondentes a licenças de amarração dos barcos, de mariscadores, de associações náuticas e taxas sobre edifícios das margens. «Chegou-se ao ponto do abandono até administrativo e o governo, que se queixa tanto da falta de dinheiro, nem as taxas dominiais de 2006 e 2007 conseguiu cobrar, que representam cerca de 600 mil euros, como era sua obrigação. Esperamos que as coisas mudem muito rapidamente», comentou.

In: http://www.diarioaveiro.pt/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O outro lado da pesca...

A pesca recreativa...


Na "meia laranja"... a espera.


Depois novamente iscar...

E eis que pode surgir o tão ansiado...


Mas pode ser de várias formas...



E até em vários momentos...
Em momentos diferentes, em locais diferentes, em horas diferentes e o Mar está sempre pronto a dar os "seus" peixes para lazer do Homem. É assim a dádiva do Mar! É disto que vive a pesca recreativa.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A gente do Mar...



"Gente do Mar, heróica e boa!
O Sol já canta hinos de aurora!
Vira do barco a linda proa,
deixa-o partir pelo mar fora.

Num labutar, sem ter sossego,
partem em bandos os pescadores...
Lá vão largar, lá vão sem medo,
ganhar o pão com seus suores.

Que Deus vos dê muita alegria,
no vosso modo de trabalhar!
Gente do mar boa e sadia,
Oh triunfal! Oh triunfal!
Gente do MAR!"
(letra de uma canção de Aveiro)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Entre malhas e milhas...





Imagens que valem mais que mil palavras...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Ainda a festa da beira-mar...



"O povo do bairro da beira-mar, durante o Verão, vivia da safra do sal, e de Inverno, da faina da pesca na ria. "

Hoje ainda se podem ver as naças da pesca a serem utilizadas para outro fim... Servem para apanhar cavacas! Era desta forma curiosa que os homens da beira-mar apanhavam as cavacas e ainda hoje se mantém este hábito.

O mês de Janeiro, quando se realiza a festa do padroeiro do bairro, é tempo da faina da pesca e as naças saíam de casa para apanhar cavacas!
Esta forma curiosa ainda hoje se mantém...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

o santo de hoje

Não poderia deixar passar o dia 10 de Janeiro sem falar no São Gonçalinho… Todos o conhecem assim em Aveiro.


"O beato s. Gonçalo era oriundo de Arriconha, freguesia de Tagilde, perto de Guimarães, onde nasceu no ano de 1190, numa nobre família minhota, de apelido Pereira.
Destinado à vida religiosa fez os seus votos de sacerdócio e tornou-se pároco de Tagilde.
Deixou a sua paróquia entregue a uma sobrinho, também padre, peregrinando pela Terra Santa, durante 30 anos. No regresso a Tagilde a paróquia foi-lhe negada pelo sobrinho.
S. Gonçalo, sem querer confusões, recolheu-se num monte de Amarante como eremita. Apenas vinha à vila para fazer as suas pregações, já que o povo apreciava muito o seu poder oratório. Acabou por falecer a 10 de Janeiro de 1259, seria beatificado em 1561 pelo Papa Pio IV, como resultado da devoção que d. João III teria pelo Santo."

De imediato pode não ser feita a ligação dos temas deste blog a este Santo… Mas ele sempre foi acarinhado pelo povo da beira-mar, e por isso a sua relação a Aveiro, ao mar e à ria. Aqui vos deixo uma pequena história curiosa acerca do São Gonçalinho que demonstra bem a ligação da gente do mar para com este exemplo de vida que foi o São Gonçalinho.

"O povo do bairro da beira-mar, durante o Verão, vivia a safra do sal, e de Inverno, na faina da pesca na ria. Num ano em que a pesca ia muito má, um pescador, que diariamente passava pela capela de S.Gonçalinho, naquele dia decidiu fazer uma promessa ao Santo. Se naquele dia tivesse uma boa pescaria, a primeira bateira de peixe que apanhasse seria para o Santo.
Seguiu para a faina e em pouco tempo tinha a bateira cheia. No entanto, disse para consigo que aquele peixe seria para ele e a próxima bateira que apanhasse entregaria ao Santo.
Terminava este pensamento e deu-se uma grande marola na ria, virou-se a bateira e perdeu-se todo o peixe. Naquele dia, não conseguiu pescar mais nada!"

Durante o próximo fim de semana realizam-se as festas em honra de São Gonçalinho no bairro da beira-mar sendo conhecidas por todo o país pela sua característica ímpar de “choverem” pães de açúcar, denominadas cavacas, do alto da capela.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Do alto do meu farol...

Nos primeiros dias do ano procura-se a praia para passear, visitar o amigo mar que não se vê desde o "ano passado"... Também eu fui até a praia da Barra, num dia de neblina, mas de uma serenidade própria de um dia de Inverno.
Deparei-me, mais uma vez, com as gaivotas, as "banhistas" de todo o ano, as companheiras das ondas, as habitantes fieis das dunas... Mas uma chamou-me deveras à atenção, quase que poderia dizer que seria a "patroa" de todas as outras, a "rainha" do bando ou simplesmente a guarda da praia... Ela ali estava de forma majestática no cimo do seu farol...

Do alto do meu farol,

Vejo o molho sul e o norte,

Estou mais perto do Sol,

Sinto o vento fraco e o forte...

Do alto do meu farol,

Como é lindo ver o mar

Ouvir um rouxinol

E a maresia inalar...


Do alto do meu farol

A sonhar peço um desejo,

Num radiante pôr-do-sol

Ir à Barra dar-lhe um beijo!

Poema inédito. Créditos: Gaivota da Revessa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A ria a correr nas entranhas...

Com o úlimo post chegou o ano de 2008... Mas como simples coincidência encontrei um texto que não poderia deixar de colocar pois, tem a ver com o meu anterior post. E é sempre bom começar o ano com novas ideias, boas influências, paixões e grandes ambições...

Tal como eu citei, no último post, a forte ligação dos aveirenses com a Ria, o Mar e tudo o que seja marítimo houve alguém que o fez da melhor maneira! Aqui vos deixo um texto de um aveirense cheio de orgulho e paixão pela sua terra. É de D. João Evangelista de Lima Vidal, Bispo e Poeta. Celebra-se a 5 de Janeiro 50 anos após a sua morte.

Vale a pena ler e saborear!


“Eu nasci em Aveiro ao que suponho na proa de alguma bateira. Fui baptizado à mesma hora nas águas da nossa Ria. Abriram-se-me os ouvidos ao som cadencioso dos remos no mar. Ao pio estríbulo das famintas gaivotas, ao pregueado inocente dos pescadores, encheu-se-me o peito à nascença do ar salgado da maresia.

S. Francisco de Assis chamava a estas coisas irmãos: o irmão Vouga, o irmão luar que à noite prateia, os irmãos peixes, as irmãs espumas, areias, estrelas. Mas aqui há mais do que uma simples fraternidade, há mais do que a suave harmonia da natureza e da alma de Aveiro; chego a crer que há uma verdadeira encarnação: o encontro de duas coisas no mesmo ser.

Nós, os de Aveiro, somos feitos dos pés à cabeça de Ria, de barcos, de remos, de redes, de velas, de montinhos de sal e areia, até de naufrágios. Se nos abrissem o peito encontrariam lá dentro um barquinho à vela ou então uma bóia ou uma fateixa ou então a Senhora dos Navegantes. Assim plasmado de Aveiro, com os beiços a saber a salgado, a pingar gotas de ria por todo o corpo, por toda a alma, eu sou uma nesga, embora minúscula, desta deliciosa aguarela de Aveiro. Eu sou um pedaço da nossa terra.”

D. João Evangelista de Lima Vidal, ilustre aveirense. (02-04-1874/05-01-1958)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Vai chegar 2008...

2008 está quase a chegar... Tal como nesta foto, que o novo ano seja virado para o céu! Sempre com os olhos postos no futuro, nas nossas expectativas, nas nossas esperanças e acima de tudo disparando em direcção à realização dos nossos sonhos...


2008 está quase a chegar... Que o novo ano possa ser a ponte que nos levará aos outros... A todos aqueles que, por algum motivo, nos lembramos menos vezes, simpatizamos menos... Que seja tambem a ponte para vermos o Mundo de outra forma respeitando a igualdade pelos nossos semelhantes...

2008 está quase a chegar... E com ele renovam-se promessas para a vida, metas para atingir... Umas nunca chegarão ao céu da nossa realidade, outras decerto que atingirão a nossa vida de variadas formas, brilharão no nosso céu e espalharão a nossa alegria pelos outros...

E 2008 está mesmo quase a chegar... Que, como nesta fotografia, o novo ano seja cheio de tudo e de nada... De tudo o que nos faz feliz e de nada o que nos possa ''deitar abaixo''!

Desejo a todos os que por aqui passam e irão passar um 2008 cheio de brilho, cheio de trabalho, cheio de alegrias, cheio de saúde e cheio de pequenas felicidades...

Que as velas do moliceiro que se erguem no vosso coração possam sempre estar dispostas a amparar os ventos maliciosos e singrar na Ria calma... Que a proa do ''vosso'' moliceiro seja sempre bem colorida e o calado bem grande para guardar tudo o que for recordação.

FELIZ ANO 2008!!!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Bicicletas aquáticas a caminho da Ria

Dez são o número provável de bicicletas aquáticas que vão começar a «circular» nos canais urbanos da Ria de Aveiro, a partir da próxima Primavera. Alguns protótipos puderam ontem ser vistos e até experimentados.

Ontem foi dia de demonstrar e experimentar as bicicletas aquáticas que vão circular nos canais urbanos da Ria de Aveiro, já no próximo ano. Junto ao Quiosque BUGA (ao lado do Forum Aveiro), foram muitas as pessoas que pararam alguns minutos da sua azáfama natalícia e observaram os «estranhos» veículos que circulavam no Canal Central. As bicicletas aquáticas prometem dinamizar o sector turístico na cidade de Aveiro, dar mais dinamismo aos canais urbanos e proporcionar a todos uma forma diferente de visitar a cidade. De acordo com o vereador Pedro Ferreira, devem começar a ser vistas na Ria «pouco antes da chegada da Primavera». Um projecto que resulta da parceria entre a MoveAveiro – empresa municipal de mobilidade, e a Media One, uma empresa recentemente criada, com o objectivo de desenvolver projectos na área da publicidade, multimédia e Internet. As bicicletas aquáticas vão ser disponibilizadas em formato de um e dois lugares, terão que ser pagas pelos utilizadores, ao contrário do que acontece com as BUGA’s, e vão ficar atracadas na zona do Quiosque BUGA, num ancoradouro que ainda será construído. Quanto aos percursos, só poderão ser definidos após a aprovação do projecto pela Capitania do Porto de Aveiro.

Vítor David é o criador das bicicletas aquáticas e explicou ao Diário de Aveiro tratar-se de um «projecto que foi evoluindo aos poucos e por fases». Tudo aconteceu ao longo de dois anos, num período em que Vítor David esteve desempregado e «a sua concepção foi muito inspirada na estrutura dos catamarans, quer em termos de formas, quer até de materiais». Neste momento, este criador está a ultimar os pormenores para a criação de uma empresa que se vai ocupar do fabrico destes veículos. A sede será em Sangalhos e o pavilhão/fábrica ficará localizado na Borralha (Águeda). Mas o dia de ontem também serviu para a MoveAveiro apresentar à cidade o novo veículo da sua frota. «Trata-se do superar de uma lacuna há muito sentida na empresa municipal, isto é, a falta de um autocarro adequado a viagens longas. Terá capacidade para cerca de 60 pessoas e poderá ser alugado», explicou Pedro Ferreira ao Diário de Aveiro.

E neste, tal como em todos os autocarros da frota da MoveAveiro, vai começar a funcionar uma nova plataforma de comunicação. Também resultado da parceria entre a empresa municipal e a Media One, trata-se de uma plataforma designada «moveTv» e consiste em écrans LCD estrategicamente colocados no interior dos autocarros onde vão ser, constantemente, transmitidos conteúdos informativos, de teor cultural, serviços, publicidade, entre outros. Numa segunda fase, esta plataforma vai possibilitar uma interactividade com os passageiros, nomeadamente, o envio de horários via «SMS», ou ainda permitir o acesso à Internet durante as viagens. Está ainda prevista uma futura interligação com o sistema GPS, informando os utentes da localização e o tempo de espera de cada autocarro.

Notícia do dia 23 de Dezembro de 2007, disponivel em www.diarioaveiro.pt.

domingo, 23 de dezembro de 2007

O Natal Aveirense!

Depois de elogiar a Ria de Aveiro deixo-vos algumas fotos onde se pode comprovar o encanto das suas águas, embelezadas pelas luzes, na época de Natal!

A luz e a água uma combinação de dois elementos fortes que nos deixam a reflectir na sua beleza e na quadra natalícia ganham outro espírito!











Feliz Natal a todos os que passem por cá, amigos e visitantes! Que o Natal tenha sempre tanta luz como estas fotos!

sábado, 22 de dezembro de 2007

A nossa Ria...

Sempre houve apaixonados pela nossa ria, pelos seus canais, moliceiros e mercanteis, gaivotas e maresia…

Um poema de amor é sempre uma escrita fascinante que nos leva a fantasiar… O poema que vos deixo, transformado depois numa música, coloca a Ria de Aveiro como a ninfa inspiradora do autor… Aquela que espelha os desejos dos Homens, aquela companheira que, de forma silenciosa, assiste aos mais belos romances de amor… Um Verdadeiro Paraíso da Alegria!
Oh Ria berço de Sonho
Espelho do meu desejo
Tens um encanto risonho
És todo o prazer dum beijo
Tão bela fresca e airosa
A espreguiçar-se na areia
És fada maravilhosa
Com atracções de sereia
Oh! Ria
Oh! Ria tão formosa
Oh! Ria!
És o meu ideal
Oh! Ria és tão bela e tão airosa
És a ria mais ditosa
Das rias de Portugal
Ao poente as tuas águas
Cheinhas de graça e cor
Fazem espairecer as mágoas
E aumentar o amor
Por isso tu dás saúde
Aos corações em magia
És jardim da juventude
Paraíso da alegria

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Botadela



Por alturas de Maio a marinha era colocada a sal novamente dando-se o nome de “botadela”, significando botar a marinha a sal.
Todos se ajudavam mutuamente… Os marnotos de cada marinha ajudavam os colegas e iam rodando por todas as marinhas.
Quando chegava a hora do almoço, a que os marnotos chamavam curiosamente de “jantar”, as mulheres iam ter com eles levando o farnel ou fazendo-o lá no palheiro. Era típico neste dia comer-se uma caldeirada de peixe.

Aqui deixo outra canção própria da Botadela.

Escusado é procurar
Não há sal como de Aveiro
Podem ir de Norte a Sul
O nosso é sempre o primeiro

Debaixo de um sol ardente
Que até corta o coração
Andamos na faina da vida
Para ganhar o nosso pão

Vamos todos nos ajudar
Nas marinhas a sal botar…
E depois dela botada
Vem a bela caldeirada!

domingo, 16 de dezembro de 2007

A safra...

Todo o trabalho nas salinas é árduo, muitas vezes de sol a sol... aqui deixo mais uma canção dos anos 60, típica de Aveiro, mas pouco conhecida!

Anda o sol pela ria

De manhã até à noitinha

Marnotos em porfia

A botarem a marinha


E o marnoto, bom deus

Vendo o sal em seu louvor

Ergue os olhos ao céu

Reza a Nosso Senhor


Oh salineiro anda ligeiro

Olha que a chuva pode chegar

E a salina que é tua mina

Se vem a chuva tens que a alagar


A água vai entrando

Espelho de cristal

E o marnoto cantando

Começa a rer o sal


Depois na canastrinha

Segue o sal o seu destino

Serve para a cozinha

E baptizar o menino


Música dos nossos antepassados por mim recolhida através de uma pessoa de família. Era este tipo de músicas, assim me explicou com os seus 80 anos, que as esposas cantavam aos seus maridos ao vê-los trabalhar na marinha e, como forma de incentivo, lhes cantavam da eira (local onde se acumulava o sal nos montes).
Um verdadeiro hino ao homem das salinas!

Painel de azulejo da Fábrica Aleluia, 1992.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O sal nasce...

na SALINA! Mas o que é uma salina?

É um conjunto de reservatórios estabelecidos nas margens dos estuários em antigas zonas de sapal e que permitem a extracção do sal da água da ria. Embora sejam construções feitas pelo Homem ao longo dos séculos, proporcionam excelentes condições de refúgio, alimentação e nidificação a uma grande variedade de aves, em especial às aves limícolas.

Representação de uma Salina em miniatura



As salinas são espaços organizados de modo a encaminhar a água salgada para as superfícies destinadas à evaporação. À medida que a água passa de um reservatório para o seguinte, a concentração de sal vai aumentando. Tendo isto em conta, coloca-se por ordem de salinidade crescente os seguintes reservatórios: PEJO, SUPERFÍCIE DE EVAPORAÇÃO E CRISTALIZADORES.


Normalmente as salinas trabalham de Março a Dezembro, respectivamente o início da actividade da marinha (preparação, arranjo e limpeza) até ao transporte do sal e alagamente da salina. Ver imagens ilustrativas a seguir.




terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sal de Aveiro

Depois dos belos textos acerca da ria de Aveiro e de toda uma aventura imaginária por outros tempos, outras realidades e outros aromas deixo-vos um hino.

Uma canção que exalta mais uma vez a Ria de Aveiro e em particular o sal, é chamado de "Sal de Aveiro". A música, composta pelo prof. Severino Vieira, ainda hoje é cantada pelos grupos culturais da cidade.
Oh linda ria de Aveiro

De beleza sem igual

Dás à cidade o letreiro

Veneza de Portugal!


Para matar o desgosto

Que ao coração nos traz mágoas

Vamos mirar nosso rosto

No espelho das tuas águas...



SAL DE AVEIRO, SAL DE AVEIRO

DE TODOS O MELHOR SAL!

SAL DE AVEIRO ÉS O PRIMEIRO

O MELHOR DE PORTUGAL!



Nós somos da beira-mar,

Vivemos ao pé da ria

Nela sempre a lutar

Pelo pão de cada dia...


Sal de Aveiro é o produto

Do nosso intenso lidar...

Sal de Aveiro é o fruto

Dos homens da beira-mar!


domingo, 9 de dezembro de 2007

A ria e os seus tesouros...


«Com água e luz, a alma aveirense é feita de sal. Sal fino. Sal finíssimo. Diferente do sal traçado do Tejo ou do sal grosso de Setúbal. Sal. Sal a que já chamaram tudo: «ouro branco», «sangue branco», «grão divino», «sal da vida», «milagre branco». Às quadrículas azuis das marinhas chamou Almada Negreiros «janelas do céu».
D. João de Lima Vidal viu nas salinas «tabuleiros de cristal». Poesia de sal. O sal inspirou poetas. O sal temperou sonhos. O sal purificou a paisagem. Mas o sal também é suor. Muito suor. É labuta de gente crestada pelo Sol há mais de mil anos. (O mais antigo escrito que testemunha a existência de salinas em Aveiro é do ano de 959). Gente laboriosa. Gente salgada. Sal da terra.


Depois dos trabalhos do Inverno – sigamos agora a musa delicada de Costa e Melo –, «antes de o sal começar a nascer, como que a medo, em espumas, ele mostra-se ao Sol que lhe dá brilhos e reflexos de beleza sem par. Depois, as janelas do céu caem e o cristal delas começa a fazer negaças à luz, chamando-a para o noivado». Um bailado meticuloso de luz e sombras, de água e espuma, de moços, mulheres e marnotos, de rodos e canastras vai esculpindo, durante meses, uma moldura de montinhos de sal, que fulgem de luz como diamantes na imensidão aberta da planície. «A cordilheira começa a tomar formas de fruto, a mostrar-se para o amadurecer da montanha que o espera em forma de cone. Com o tempo e a ajuda do vento, os cones vão fazendo parte da paisagem, cada dia mais salgada». Mas, hoje, os saleiros já não transportam o sal para os palheiros do canal de S. Roque. Também os moliceiros já não rapam os fundos verdes da ria. O sal de Aveiro vive momentos difíceis. Os marnotos escasseiam. As marinhas, que já foram às centenas, contam-se hoje pelos dedos das duas mãos. Começam a sobejar dedos. Mas resistem.


Afligimo-nos nós, que não as queremos perder. Lutamos contra o tempo. Sonhamos outros tempos para elas e para nós. Como diz o nosso poeta maior, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades». Houve um tempo, conta o bispo Lima Vidal, em que o sal não se comprava. «Quando iam para a estação do caminho-de-ferro os carros de bois que levavam o sal, vinham as cozinheiras, estendiam ao condutor as suas vasilhas, só lhes agradecendo a dádiva». Esse tempo, como outros tempos idos, não volta mais. Hoje, o sal de Aveiro tem de concorrer com os preços mais baixos do sal produzido no norte de África…»


In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Aveiro e a ria... A ria e Aveiro...

«Parece que finalmente todos compreenderam as palavras avisadas de Raul Brandão: «Ninguém aqui vem que não fique seduzido, e, noutro país, esta região seria um lugar de vilegiatura privilegiado. É um sítio para contemplativos e poetas: qualquer fio de água lhes chega e os encanta. É um sítio para sonhadores e para os que gostam de se aventurar sobre quatro tábuas, descobrindo motivos imprevistos.



É-o para os que se apaixonam pelo mar profundo e para os medrosos que só se arriscam num palmo de água – porque a ria é lago e mar ao mesmo tempo. Com meios muito simples, um saleiro e uma barraca, tem-se uma casa para todo o Verão. Pesca-se. Sonha-se. Toma-se banho.



Esquece-se a vida prática e mesquinha. Dorme-se ao largo, deitando-se a fateixa ou abica-se ao areal: um fogaréu, uma vara, a caldeirada…» Apesar das mudanças das últimas décadas, a influência da ria, desse mar de água pouco profunda, das suas ilhas, dos meandros de canais e esteiros, continua decisiva no ar que respiramos. Na temperatura. Na humidade. Na luz que nos inunda e envolve. Na fina neblina que adoça cores e formas. No nosso olhar. Na nossa identidade.



Com uma superfície de cerca de 11.000 hectares – 6.000 ocupados permanentemente pelas águas, 2.000 por salinas, cuidadas, abandonadas ou convertidas à piscicultura, e a restante por praias, cuja formação está ligada à ocupação agrícola, a ria de Aveiro é incontornável. Só por cegueira foi possível ignorá-la tanto tempo…" »



In: Aveiro, Cidade de Água, Argila e Luz - Câmara Municipal de Aveiro, 2004




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